AFP PHOTO / DELIL SOULEIMAN
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Ofensiva em Mossul pode provocar pior crise humana do ano

ONU trabalha com a hipótese de 200 mil deslocados nas 'duas primeiras semanas', mas o número pode aumentar de forma significativa durante a operação

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2016 | 20h31

MOSSUL, IRAQUE  - Um deslocamento em massa da população de Mossul, no Iraque, pode começar em menos de uma semana advertiram nesta segunda-feira, 17, as Nações Unidas, horas depois do anúncio do início da ofensiva para retomar a cidade das mãos do grupo extremista Estado Islâmico (EI). A ONU expressou profunda preocupação com a segurança de 1,5 milhão de civis que vivem na cidade. 

“Algumas famílias enfrentam um risco extremo de ficar no meio do fogo cruzado ou de se tornarem alvos de franco-atiradores”, afirmou o vice-secretário-geral para Assuntos Humanitários e Assistência de Emergência da ONU, Stephen O’Brien.

Segundo a coordenadora da ONU para o Iraque, Lise Grande, a operação aumenta os temores de um desastre humano. “O que esperamos, com base no que o Exército (iraquiano) informa, é que se ocorrerem deslocamentos populacionais relevantes, isso pode acontecer em cinco ou seis dias”, afirmou Lise, que falou por Skype a jornalistas reunidos em Erbil, a capital da região autônoma do Curdistão iraquiano.

Lise explicou que a ONU trabalha com a hipótese de 200 mil deslocados nas “duas primeiras semanas”, mas o número pode aumentar de forma significativa durante a operação. “No pior dos casos, vamos literalmente rumo à maior operação humanitária no mundo em 2016”, disse.

Já o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) informou ontem que até 100 mil iraquianos de Mossul podem se deslocar para Síria e Turquia. A agência emitiu um apelo por mais US$ 61 milhões para a aquisição de tendas, acampamentos, itens de inverno e fornalhas para deslocados dentro do Iraque. 

Os deslocamentos em massa de população podem ser agravados pela chegada do inverno e expor os civis sem teto às noites frias do deserto.

Os habitantes de Mossul estarão na linha de frente dos combates, presos entre os tiros, ataques aéreos e bombardeios, além de poder ser utilizados como escudos humanos pelo EI.

“Se o Daesh (acrônimo árabe do EI) cercar com bombas os bairros civis, se colocar franco-atiradores em postos estratégicos, os habitantes podem se tornar escudos humanos”, advertiu Lise.

Das três grandes cidades iraquianas tomadas do EI, apenas Fallujah tinha uma população comparável à de Mossul. A operação militar provocou um êxodo em massa de seus habitantes, dezenas de milhares de civis foram deslocados ou amontoados em campos de refugiados superpovoados. 

“Com um pouco de sorte, as organizações de ajuda humanitária terão condições de prestar o auxílio necessário para que não passem de um inferno ao outro”, declarou Becky Bakr Abdullah, do Conselho Norueguês para Refugiados. / REUTERS e AFP 

 

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