Ofensiva israelense no Líbano deixa pelo menos 30 mortos

Apesar dos esforços diplomáticos para por um fim às incursões de Israel no Líbano, que completam uma semana nesta quarta-feira, o Exército de Israel disse que está se preparando para enfrentar os guerrilheiros do Hezbollah por mais algumas semanas, e pode enviar forças terrestres ao Líbano. As ofensivas israelenses deixaram um saldo de pelo menos 30 mortos na terça-feira e continuam na madrugada de quarta-feira. Duas grandes explosões atingiram a cidade de Beirute no começo da quarta-feira, horário local, e mísseis atingiram cidades ao leste e ao sul da capital em novos ataques do Exército de Israel. As explosões foram ouvidas nos subúrbios ao norte de Beirute, um reduto do Hezbollah que foi seriamente destruído desde o início dos ataques. Em outros ataques, mísseis atingiram a cidade costeira de Chuweifat, onde várias fábricas estão localizadas. A cidade de Hadath, de maioria cristã também foi atingida, segundo informações de emissoras de TV locais.Aviões israelenses também destruíram uma ponte na cidade de Sidon e casas em duas outras aldeias no sul do país. Até agora não há registros de mortos após os ataques de quarta-feira.Ataques No mais fatal ataque israelense na terça-feira, 17 soldados de uma unidade de engenharia do exército libanês foram mortos e 35 ficaram feridos quando sua base, em Kfar Chima, sul de Beirute, sofreu um impacto direto do bombardeio israelense no final da tarde, informou o exército libanês. A base fica em uma área montanhosa, adjacente às fortificações do Hezbollah no sul de Beirute, que tem sido alvo constante dos caças israelenses nos últimos dias.Pelo menos outras nove pessoas da mesma família foram mortas durante um ataque ao vilarejo de Aitaroun, perto da fronteira de Israel. O canal de televisão da milícia mostrou corpos enrolados em lençóis sendo retirados do local do ataque, incluindo uma criançaEnquanto isso, militantes do Hezbollah lançaram mais foguetes contra o norte de Israel na terça-feira, matando um homem na cidade de Nahariya. Pelo menos cem outros foguetes caíram em Israel, incluindo a cidade de Haifa. Desde o início da onda de violência, mais de 750 foguetes atingiram território israelense forçando centenas de israelense a protegerem em abrigos subterrâneos. Retirada Centenas de europeus e americanos deixaram o país em navios e outros milhares de estrangeiros se preparam para sair nos próximos dias. A retirada de 15 mil cidadãos americanos em um navio foi adiada para quarta-feira.Um grupo de brasileiros que estava no Líbano finalmente chegou à Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, na noite desta terça-feira. Muito aliviados e emocionados, os passageiros (85 brasileiros, cinco argentinos, quatro libaneses e um uruguaio) foram recepcionados por cerca de 50 membros da comunidade libanesa do Brasil, que seguravam faixas antiguerra e de agradecimento ao presidente Lula pelos esforços diplomáticos para trazer as pessoas do Líbano.Diplomacia Em esforços diplomáticos para encerrar o conflito, que matou pelo menos 227 pessoas no Líbano e 25 em Israel, uma equipe de mediadores da ONU se reuniu nesta terça-feira com líderes israelenses um dia depois de ter se encontrado com libaneses em Beirute.A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que se encontrou com a delegação, disse que um cessar-fogo será impossível enquanto soldados capturados pelo Hezbollah na semana passada não forem libertados e as tropas libaneses garantirem o desarmamento do Hezbollah na fronteira.O premier de israelense, Ehud Olmert, disse a uma delegação da ONU que visitava o país que "Israel continuará combatendo o Hezbollah e continuará a bombardear alvos do grupo" até que os soldados capturados sejam libertados e a segurança da população israelense retorne à normalidade. O líder do exército israelense no norte, o major-general Udi Adam, disse que é provável que a campanha contra o Hezbollah "continue por mais algumas semanas".O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan afirmou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas trabalhará em um pacote de medidas que seja aceito por todas as partes e que possibilite o envio de uma força de estabilização à região para obter o fim das hostilidades.Annan aceitou assim o papel cobrado no fim de semana passado pelo Grupo dos Oito (G8), que pediu que a ONU assuma a função de deter um conflito. O secretário pediu ainda que a comunidade internacional trabalhe por uma "solução concreta e específica" para resolver o conflito.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.