Ofensiva mata mais 17 na Síria, diz oposição

Ataque das forças de Assad em Deraa se soma à onda de violência que se intensificou após massacres

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h04

Na sequência de uma série de ofensivas sangrentas levada a cabo supostamente por forças leais ao ditador sírio, Bashar Assad, pelo menos 17 pessoas - entre elas, 10 mulheres e 3 crianças - foram mortas entre sexta-feira à noite e a madrugada de ontem na cidade síria de Deraa, de acordo com grupos que se opõem ao regime de Damasco.

Segundo essas fontes, bombardeios indiscriminados tiveram início depois das oração noturna e se estenderam para localidades próximas a Deraa, como Ebtaa e Herak.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, movimento opositor com sede na Europa, denunciou em comunicado o grande número de mulheres e crianças entre as vítimas. Outro grupo opositor, a Comissão Geral da Revolução Síria, informou que oito dos mortos pertenciam a uma única família, a Al-Dalu.

Testemunhas afirmaram que a situação médica na região é crítica. O material de primeiros socorros não é suficiente para tratar as dezenas de feridos, muitos dos quais são atendidos em improvisados hospitais de campanha levantados no interior das mesquitas.

Além disso, as forças de segurança detiveram alguns dos feridos e vários médicos, como uma maneira de evitar que as vítimas recebessem tratamento, denuncia o Observatório.

Deraa, cidade próxima à Jordânia, foi o ponto de partida da revolta contra Assad, em março de 2011, e a primeira a sofrer a repressão das forças governamentais.

A ofensiva se soma a bombardeios lançados na sexta-feira contra Homs, Idlib e a periferia de Damasco, que deixaram pelo menos 50 vítimas, segundo os dados da oposição.

A violência política se intensificou na Síria desde o massacre de Hula, no dia 25, que causou a morte de pelo menos 108 pessoas - incluindo 47 crianças -, segundo relatos de observadores das Nações Unidas que estão no país para monitorar um cessar-fogo com o qual o regime e a oposição armada haviam se comprometido em abril, mas nunca foi cumprido.

No início da semana passada, um novo massacre, na região de Hama, teria deixado mais de 70 mortos entre civis.

Na sexta-feira, o ex-secretário-geral da ONU e principal mediador da crise síria, Kofi Annan, pediu à comunidade internacional mais pressão sobre o regime de Assad para tornar viável o plano de pacificação de seis pontos - que inclui o fim dos combates e o início de um diálogo - desenhado por ele.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou ontem que 1,5 milhão de civis necessitam de ajuda humanitária na Síria, e qualificou a situação como "muito tensa" em razão dos combates. / REUTERS e EFE

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