Matiullah Achakzai/EFE
Matiullah Achakzai/EFE

Ofensiva militar mata ao menos 60 rebeldes no Paquistão

Operação militar contra talebans paquistaneses era planejada desde junho; tropas avançam na região

Efe,

18 de outubro de 2009 | 14h22

Pelo menos 60 rebeldes morreram nas últimas 24 horas na ofensiva militar lançada sábado pelo Exército do Paquistão na região tribal do Waziristão do Sul, principal reduto dos talebans paquistaneses. Em nota, o comando militar do país disse neste domingo, 18, que os combates, registrados em diferentes pontos da região, também mataram cinco soldados paquistaneses e feriram outros 11 militares.

 

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No confronto mais sangrento, cerca de 30 "terroristas" foram mortos pelas tropas em uma área próxima a Mandana e nas regiões de Kund e Tarakai. Nas mesmas localidades, cujo controle foi retomado pelo Exército, dois militares perderam a vida e quatro ficaram feridos.

 

Segundo informações, as tropas conseguiram avançar por sete quilômetros ao norte de Shakai, reassumindo novamente as áreas de Boya Narai e Wuzi Sa'ar, onde pelo menos 20 insurgentes e um soldado foram mortos.

 

O comando paquistanês disse ainda que os confrontos continuam em Sherwangi. Já em Razmak, onde o Exército travou combates que provocaram a morte de dez insurgentes e dois militares, os soldados expulsaram os talibãs de pontos estratégicos.

 

As tropas também apreenderam minas, explosivos e muita munição, e destruíram seis baterias antiaéreas e vários veículos dos insurgentes. De acordo com os Militares, em algumas regiões os civis levantam bandeiras brancas e são deixados em paz depois de serem revistados pelas forças de segurança.

 

O Exército paquistanês iniciou a atual ofensiva contra a insurgência no Waziristão do Sul depois que, em menos de duas semanas, cerca de 200 pessoas perderam a vida em uma série de atentados terroristas.

 

Inteligência

 

Desde junho, o comando militar preparava uma operação de grande envergadura nesta região tribal na fronteira com o Afeganistão, onde, até o momento, só tinham sido registrados ataques aéreos das forças de segurança paquistanesas ou aviões americanos não tripulados contra alvos rebeldes. Mas a onda de ataques orquestrada pelo novo líder dos talebans paquistaneses, Hakimullah Mehsud, levou as autoridades a dar o impulso definitivo à campanha contra os talebans.

 

Um porta-voz do Exército, o tenente-coronel Basir Haider, disse à Agência Efe que as tropas continuam avançando em direção ao principal reduto dos talebans paquistaneses. Ele destacou ainda que a ofensiva vai se estender por "muito tempo". Segundo o canal "Geo TV", o êxodo de civis que deixam as áreas de combate continua e as autoridades impuseram um toque de recolher em vários pontos do Waziristão do Sul.

 

O Governo da Província da Fronteira Noroeste, que faz divisa com as demarcações tribais, estimou em 10 mil o número de famílias que deixaram suas casas na busca por regiões mais seguras. A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Ariane Rummery, disse ontem à Efe que, por enquanto, cerca de 100 mil já fugiram da região em direção aos distritos vizinhos de Tank e Dera Ismail Khan.

 

Nos últimos meses, o Exército posicionou pelo menos 28 mil soldados e paramilitares na região, pela qual estão espalhados 10.000 rebeldes, segundo cálculos militares. As forças de segurança paquistanesas também combatem os insurgentes no Vale do Swat (norte), onde até agora cerca de 1.700 fundamentalistas e 200 soldados já perderam a vida.

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