Ofensiva não afeta rotina dos soldados em Jalalabad

Reportagem do ?Estado? estava na base na hora do ataque

Patrícia Campos Mello, JALALABAD, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

Eram 14h30 na Base de Fenty, em Jalalabad, leste do Afeganistão, quando se ouviu a explosão. Olhando em direção ao portão da base militar dos EUA dava para ver a fumaça subindo. "Anda, anda, isso aí foi morteiro vindo do portão", gritou o oficial americano que estava recebendo os passageiros do avião recém-chegado. "É bom a gente não ficar aqui de bobeira." Foi o segundo ataque à base no dia. Horas antes, dois homens-bomba tentaram invadi-la - um foi morto e o outro, preso. A reportagem do Estado havia acabado de chegar de Bagram em um avião C-130 do Exército dos EUA, superlotado com 58 soldados. A temperatura em Jalalabad chegava aos 45 graus. Mesmo diante das explosões, os soldados americanos não chegaram a se sobressaltar. Os ataques têm sido cada vez mais frequentes na região, mas não preocupam os oficiais da base. "A sorte é que eles são muito ruins de mira", brincou a tenente Liz Silver. A base foi alvo de quatro ataques nos últimos meses, mas os insurgentes nunca conseguiram atingir seu objetivo. Geralmente, as explosões fazem estragos perto da cerca ou as bombas nem chegam a ser detonadas. A Base de Fenty abriga mil pessoas e é mais simples que Bagram. A maioria dos soldados está alojada em tendas. De Fenty são coordenadas operações em várias províncias do leste do Afeganistão. Segundo a tenente Liz, esses ataques não são muito comuns, por Fenty ser uma base grande - os insurgentes preferem atacar as bases menores, mais vulneráveis. No leste do Afeganistão, Nuristan e Kunar são as regiões mais perigosas para os soldados da coalizão liderada pelos EUA. O grupo mais atuante em Nangahar, província cuja capital é Jalalabad, não é o Taleban, mas a rede Haqqani, aliada do Taleban, mas que atua com certa independência. O grupo é responsável por cerca de metade dos ataques terroristas no país. Jalaluddin Haqqani é o líder do grupo. Durante a formação do gabinete do presidente Hamid Karzai, Haqqani mandou seu pai para Cabul para negociar uma participação no governo. O comboio onde ele estava foi atingido pelos americanos e Haqqani tornou-se um agressivo opositor das forças estrangeiras. A Província de Nangahar é considerada um caso de sucesso pelo governo americano por causa da erradicação das plantações de papoula - matéria-prima da heroína. O processamento da droga em laboratórios, porém, com envolvimento de autoridades, cresceu bastante na região.

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