Ofensiva rebelde mata 44 no Iraque

Forças Armadas frustram ataque a Baquba, capital da Província de Diyala, próxima de Bagdá, que levou ao fechamento de maior refinaria do país

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2014 | 02h01

As Forças Armadas iraquianas impediram ontem o avanço de insurgentes sunitas sobre Baquba, capital da Província de Diyala. A ofensiva provocou o fechamento da maior refinaria de petróleo do país em Baiji, resultando em desabastecimento de combustível e energia em partes do país. Na capital iraquiana, uma delegacia foi atacada por milicianos rebeldes e pelo menos 44 prisioneiros foram mortos.

Pressionado pelos EUA, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, foi à TV para pedir unidade nacional. Funcionários estrangeiros da refinaria foram retirados do local na noite de segunda-feira, de acordo com autoridades locais. Os empregados iraquianos permanecem em seus postos e os militares ainda controlam a instalação.

Insurgentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês), que tomaram na semana passada a cidade de Mossul, segunda maior do país, avançaram em direção à refinaria e a cercaram.

"Diante dos recentes ataques de militantes, a administração da refinaria decidiu retirar os trabalhadores estrangeiros por sua segurança e também para fechar as unidades de produção e evitar possíveis danos", afirmou o engenheiro-chefe da instalação, que preferiu não se identificar.

Em Bagdá, a polícia iraquiana disse ontem que pelo menos 44 presos morreram no ataque de insurgentes sunitas contra uma delegacia, na segunda-feira. Os insurgentes tentavam libertar os presos, também sunitas, e entraram em confronto com policiais xiitas, que teriam matado os prisioneiros.

Os militantes islâmicos contam com o apoio de outras facções sunitas, incluindo ex-membros do Partido Baath e líderes tribais, que tomaram parte na revolta contra a opressão atribuída ao governo xiita de Maliki. Os países ocidentais, incluindo os EUA, pediram a Maliki que envolva os sunitas na reconstrução da unidade nacional como única maneira de impedir a desintegração do Iraque.

Depois de resistir à ideia, Maliki transmitiu ontem em cadeia de TV um apelo pela unidade nacional, o que deve ajudá-lo a conquistar apoio de Washington contra os rebeldes. O desconforto do premiê na TV reflete a impaciência dos EUA com seu protegido. Antes do pronunciamento, os aliados xiitas do premiê tinham prometido boicotar a cooperação com o maior partido sunita.

O avanço repentino de insurgentes sunitas está remodelando as alianças no Oriente Médio e tanto os EUA quanto o Irã dizem que poderiam cooperar contra um inimigo comum, algo sem precedentes desde a Revolução Iraniana, de 1979.

O presidente dos EUA, Barack Obama, é acusado de ter feito pouco para ajudar o Iraque desde a retirada das tropas americanas, em 2011, e busca opções de ação militar, como bombardeios aéreos. Na segunda-feira, Obama determinou o envio de soldados para proteger a Embaixada dos EUA em Bagdá, mas descartou mandar tropas para o Iraque.

Em visita ao Brasil, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse ontem que os EUA fornecerão assistência às forças de segurança do Iraque, mas os iraquianos devem se unir para lutar contra a insurgência sunita que ameaça o país. "É claramente necessária uma assistência urgente ", disse Biden. "O ponto principal é que os iraquianos têm de se unir para derrotar o inimigo." / AP e REUTERS

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