Ofensivas recentes ameaçam apoio a diálogo

Alto comissário para a paz alerta sobre efeito negativo das ações na credibilidade do processo iniciado em 2012

FERNANDA SIMAS , O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2015 | 02h01

O avanço nas negociações de paz entre a Colômbia e as Farc não é suficiente para afastar a preocupação do governo com a repercussão da nova série de ataques realizados pela guerrilha, após o fim do cessar-fogo unilateral que ela adotava desde dezembro. A delegação de Bogotá teme que a população deixe de acreditar em um acordo de paz definitivo e perca a paciência com a negociação, que já dura dois anos e meio.

"É muito difícil explicar ao país os acordos, deixá-lo entusiasmado, quando as Farc estão cometendo terrorismo como os cometidos em Putumayo, em Caquetá, enchendo rios de petróleo, deixando pessoas sem luz", afirmou o alto comissário para a paz, Sergio Jaramillo, em evento sobre as negociações.

Segundo uma pesquisa da empresa Cifras y Conceptos, realizada entre os dias 4 e 9 de junho e divulgada na sexta-feira, 34% dos colombianos acham que as Farc deveriam ser derrotadas militarmente e 33% consideram que a saída negociada é a melhor opção para o fim do conflito.

As Farc decidiram abandonar o cessar-fogo unilateral após um bombardeio do Exército colombiano deixar 26 guerrilheiros mortos no dia 21 de maio. O governo sempre afirmou que seguiria as negociações de paz, mas não deixaria de atuar militarmente contra a guerrilha.

Bogotá afirma que não pode renunciar ao dever de defender o país e argumenta que um cessar-fogo bilateral só será possível quando houver um acordo de paz definitivo, pois será necessário rediscutir a distribuição das tropas colombianas, a questão da segurança da sociedade e o apoio internacional ao processo pós-conflito.

Na sexta-feira, dois policiais foram mortos em um ataque atribuído às Farc no Departamento de Nariño, assim como o tenente da polícia do município de Ipiales, Alfredo Ruiz Clavijo.

Mas as ações também ocorrem contra a infraestrutura do país. Ataques contra torres de energia deixaram cerca de um milhão de residências sem energia elétrica. Um oleoduto também foi explodido, provocando um desastre ambiental.

Participação. Ao comentar as ações, Jaramillo lembrou a importância de outra guerrilha colombiana, o ELN (Exército da Libertação Nacional), decidir integrar o processo de paz. "Estamos prontos para que eles se unam ao esforço, sempre deixando claro que não há possibilidade de que construamos a paz com o ELN armado."

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