Wojtek Radwanski/AFP
Wojtek Radwanski/AFP

‘Oferecer concessão para Hungria e Polônia pode encorajar comportamento semelhante’, diz pesquisador

Para Daniel Hegedüs, impasse mostra que Estados-membros autocratas da UE podem tomar todo o bloco como refém

Entrevista com

Daniel Hegedüs

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2020 | 04h00

O confronto entre União Europeia e Polônia e Hungria ganhou novos contornos nesta sexta-feira, 27, após o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, confirmar que o país irá bloquear a aprovação do pacote de recuperação pós-pandemia.

O impasse orçamentário está centrado em uma cláusula que vincula liberação de dinheiro à manutenção de bons padrões de democracia. Proposta pela Alemanha, a medida tenta colocar um freio na erosão democrática em curso nos dois países do bloco soviético.

Para o pesquisador do German Marshall Fund Daniel Hegedüs, o conflito pode abrir precedentes. " A situação de hoje mostra que os Estados-membros autocratas da UE podem tomar todo o bloco como refém", afirma.

Confira a entrevista:

O que Hungria e Polônia ganham com esse  confronto com a UE? 

A principal motivação é obter concessões importantes em relação ao mecanismo de condicionalidade do estado de direito. Polônia e Hungria gostariam de diluir ainda mais o mecanismo ou obter garantias de que ele não será acionado contra eles. Ambos os países temem que, no longo prazo, possam perder acesso aos fundos da UE. 

O que há de pano de fundo nessa disputa? 

A verdadeira ameaça é que oferecer concessões demais para Hungria e Polônia pode encorajar um comportamento semelhante – praticamente extorsão – no futuro. A situação de hoje mostra que os Estados-membros autocratas da UE podem tomar todo o bloco como refém.

 Autocracias estão ganhando terreno na UE?

A Bulgária e a Eslovênia são candidatas óbvias a entrar no clube. No entanto, também há exemplos positivos na Europa Central e Oriental, como a Eslováquia e a Romênia, que conseguiram voltar à direção democrática.

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