Oferta de passagens aéreas na Venezuela cai 44%

Empresas do setor enfrentam dificuldades para obter dólares para converter seus ganhos em bolívares; dívida de Caracas passa de US$ 4 bilhões

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 02h04

O presidente da Associação de Linhas Aéreas da Venezuela (Alav), Humberto Figuera, declarou ontem que companhias aéreas estrangeiras que atuam em seu país reduziram para quase a metade os assentos destinados a passageiros venezuelanos. A demora do governo em conceder dólares para empresas de aviação comercial reverterem seus ganhos em bolívares tem afetado o setor há aproximadamente um ano.

De acordo com informações divulgadas no dia 28 pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), a dívida do governo venezuelano com as companhias aéreas provocada pela não concessão dessas divisas - um mecanismo controlado por Caracas - passa dos US$ 4,1 bilhões. Mas, segundo um cálculo paralelo feito pelo instituto Ecoanalítica e publicado pelo jornal venezuelano El Nacional na sexta-feira, o valor dessa dívida está em torno de US$ 1,9 bilhão.

"Havia um total de mais de 56 mil assentos semanais disponíveis para as pessoas que viajavam (da Venezuela para outros países)", tuitou o presidente da Alav, afirmando que o número das passagens aéreas destinadas aos venezuelanos semanalmente foi reduzido "para perto de 31 mil". A redução foi de 44,6%, segundo a associação.

No fim de junho, Figuera tinha afirmado à imprensa venezuelana que a frequência de voos internacionais no Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal terminal aéreo da Venezuela, era de 353. Ontem, o presidente da Alav afirmou que esse número foi reduzido para 207.

O atraso na concessão de divisas por parte do governo venezuelano tem afetado também o fluxo de importações de matéria-prima usada pela indústria local e mercadorias consumidas na Venezuela, que importa quase tudo o que consome.

Negócios em baixa. A vice-presidente da Associação Venezuelana de Agências de Viagens, Sandra González, afirmou ontem à Rádio Unión que a venda de passagens aéreas internacionais caiu 59% - voos internos tiveram redução de 29%.

"Se nossos ganhos dependem 80% da venda de bilhetes, que baixaram quase 60%, até que ponto uma empresa pequena consegue aguentar uma situação desse tipo? Confiamos que haverá uma solução, mas precisamos de respostas. De outra maneira não poderemos continuar abertos", disse, afirmando que "quem deve buscar uma solução são as linhas aéreas e o Estado". / EFE

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