Eduardo Di Baia/AP
Eduardo Di Baia/AP

Oferta de suborno chega por celular entre deputados na Argentina

Peronistas da Província de Buenos Aires são flagrados trocando SMS contendo propostas de compra de voto

Ariel Palácios / CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES ,

01 de junho de 2012 | 21h17

BUENOS AIRES - As ofertas de propina via mensagem de texto de celular podem ser o novo formato para combinar a compra de votos de parlamentares na Argentina. Isso é o que indica o escândalo que veio à tona nesta sexta-feira no jornal Clarín, que denunciou as tentativas de suborno durante a sessão de quinta-feira da Assembleia Legislativa da Província de Buenos Aires.

O escândalo envolve o governador peronista Daniel Scioli, que foi vice-presidente de Néstor Kirchner (2003-2007), é aliado da presidente Cristina Kirchner e governa a mais importante província do país, que tem 40% do eleitorado e 33% do PIB nacional.

Os parlamentares estavam debatendo o imposto agrário do governador Scioli, que está pressionado pelos graves problemas fiscais da província, quando um fotógrafo do Clarín flagrou o deputado provincial Juan José Ottavis, vice-presidente da Assembleia e representante do Partido Justicialista (Peronista) trocando mensagens de celular com seus colegas de bloco a respeito de uma suposta proposta de dinheiro para os integrantes da oposição.

Oposição. As fotografias mostram o deputado manuseando o celular e, quando ampliadas em alta resolução, é possível ler a mensagem que Ottavis digita no aparelho. O volume oferecido era de "150 mil pesos por cabeça", de acordo com mensagem da deputada Rocio Giaccone, colega de Ottavis e militante de La Cámpora, a juventude kirchnerista.

Giaccone mencionou uma das supostas envolvidas nas propinas, a deputada Valeria Arata, da União Cívica Radical (UCR), o principal partido da oposição. Ottavis, cauteloso, respondeu à deputada com a seguinte mensagem: "Bom, rapazes. Não contemos mais coisas e cuidado." Valeria afirmou que não recebeu propostas de suborno. No entanto, admitiu que outros parlamentares "poderiam" ter recebido ofertas.

"Estou surpresa. Jamais me ofereceram um peso por nada. Vocês devem falar com Rocio Giaccone, para saber de onde ela tirou isso. Eu votei contra o projeto de lei", disse Valeria. "Eu não falei com ninguém."

Crise financeira. Scioli, que nas pesquisas de opinião é o segundo colocado em popularidade na esfera governamental, depois da presidente Cristina, corre sérios riscos de não conseguir pagar os salários do funcionalismo público.

Para driblar a grave crise de caixa, o governador enviou à Assembleia Legislativa da província o projeto de lei que cria um pesado imposto agrário, que desatou a fúria dos ruralistas. A aprovação da lei – que contou com votos da oposição – provocou a convocação de um locaute agrário de nove dias.

Em 2008, Cristina tentou uma manobra semelhante no Congresso. A presidente enviou um projeto de lei que criava um novo imposto agrário. A medida acabou reprovada com o voto de minerva do então vice-presidente Julio Cobos, que passou a ser encarado como "traidor" e abriu uma crise no governo.

 

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