Susan Walsh / AP
Susan Walsh / AP

Oferta de Trump para mediar disputa pela Caxemira provoca incômodo na Índia

Parlamento indiano responsabiliza o premiê Narendra Modi pela iniciativa; líderes opositores pedem a ele que esclareça a situação, já que normalmente o conflito em questão é tratado de forma bilateral

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2019 | 07h27

NOVA DÉLHI - A oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para mediar a disputa entre a Índia e o Paquistão pela Caxemira, provocou agitação nesta terça-feira, 23, no Parlamento indiano, que responsabiliza o primeiro-ministro Narendra Modi pela iniciativa.

Líderes da oposição pediram ao chefe do governo nacionalista da Índia que se apresentasse ao Parlamento para esclarecer a situação, já que a sugestão de Trump significa uma mudança na tradicional postura de que o conflito deve ser resolvido de forma bilateral.

Ao receber na segunda-feira o premiê paquistanês, Imran Khan, em Washington, Trump disse que Modi lhe pediu para intervir na disputa sobre a Caxemira, região do Himalaia que tem sido fonte de tensões entre a Índia e o Paquistão desde o fim da colonização britânica em 1947.

Membros do Partido do Congresso e do Partido Comunista da Índia (CPI) pediram nesta terça que o governo explique a sua posição. "É um assunto sério. A posição da Índia sempre foi que (a Caxemira) é um problema bilateral entre a Índia e o Paquistão. Há alguma mudança?", questionou D. Raja, secretário-geral do CPI.

O governo indiano, que rapidamente negou as alegações de Trump, reiterou sua posição perante os parlamentares. "Quero garantir categoricamente à Assembleia que tal pedido não foi feito pelo primeiro-ministro ao presidente americano", disse o ministro das Relações Exteriores, S. Jaishankar. 

Índia e Paquistão lutaram por décadas pelo antigo reino do Himalaia e cerca de 70 mil pessoas, a maioria civis, morreram nos últimos 30 anos, segundo organizações de monitoramento. A luta se dá entre as forças indianas e rebeldes que buscam a independência ou sua anexação ao Paquistão. / AFP

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