Oficiais britânicos pedem calma sobre envio de tropas

Com a aproximação do Ramadã e do severo inverno afegão, oficiais militares disseram hoje que pode levar algum tempo até que tropas terrestres britânicas comecem a agir no Afeganistão. Eles recusaram-se a especificar quando as operações devem ter início, mas disseram que forças britânicas necessitam de treinamento para a missão e de precisas informações de inteligência sobre os alvos a serem atacados. Assessores do primeiro-ministro Tony Blair, acusando a "mídia de 24 horas" de levantar expectativas não razoáveis sobre a paz e a conduta da campanha, pediram ao país para ter paciência e entender que esforços estão sendo feitos para se evitar vítimas civis. O secretário de Defesa Geoff Hoon disse numa entrevista coletiva que a campanha aérea "minou dramaticamente a capacidade da Al-Qaeda de planejar, treinar e promover o tipo de atentado terrorista que vimos em 11 de setembro". "O caminho está agora aberto para operações militares mais complexas", acrescentou. A Grã-Bretanha se comprometeu na semana passada com o envio de 200 infantes da Marinha para participarem em operações especiais da coalizão liderada pelos Estados Unidos, e colocou outros 400 na reserva no Reino Unido. O brigadeiro Roger Lane, comandante dos infantes, afirmou à BBC que suas tropas não entrarão em ação até que fique claro o que esperam que eles alvejem. Dizendo que a missão deve ser "liderada pela inteligência", Lane acrescentou: "Estaremos prontos quando alvos adequados tenham sido identificados. Não queremos nos apressar. Precisamos ser corretos". Aviões de combate Harrier estão sendo retirados do HMS Illustrious, um porta-aviões atualmente participando de manobras militares em Omã, para abrir espaço para helicópteros que serão usados em operações no Afeganistão, informou a Marinha Real. Exercícios de tiro livre em Omã continuarão por vários dias antes que o Illustrious e outros navios de guerra estejam prontos para a campanha afegã, segundo um porta-voz da Marinha. O almirante James Burnell-Nugent, comandante da força tarefa naval britânica, disse que não ficaria surpreso se as operações no Illustrious só começarem no ano que vem, divulgou do porta-aviões a Associação de Imprensa britânica. "Não está claro na mente de ninguém e isso faz parte do desafio", afirmou. Uma vez prontas, as tropas britânicas devem estar diante do início do inverno no montanhoso Afeganistão. Seus comandantes e o governo britânico têm de resolver a questão de travar a guerra num país islâmico durante o mês sagrado do Ramadã. O Paquistão considerou hoje que uma pausa militar no Ramadã, que tem início em 17 de novembro, ajudaria a amealhar apoio islâmico para a operação liderada pelos EUA. "Penso que bombardeios no Afeganistão durante o Ramadã iria certamente agravar sentimentos em todo o mundo islâmico", afirmou o porta-voz do Ministério do Exterior Mohammed Riaz Khan à rádio BBC. Hoon disse que uma pausa estava sendo considerada. "Isso é algo que está sendo considerado seriamente", afirmou. "E quero igualmente enfatizar que não podemos deixar que Osama bin Laden nem a Al-Qaeda nem o regime Taleban se reagrupem, sabendo que não irão enfrentar ações militares durante o Ramadã". Ele também rechaçou notícias dando conta de que os Estados Unidos e seus aliados se preparam para atacar o Iraque. "Não existe uma agenda secreta. Isso não é o prelúdio de uma guerra mais ampla", garantiu Hoon. Leia o especial

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