EFE/AVN/ NO VENTAS
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Oficiais participaram de ataque contra quartel, admite governo da Venezuela

Invasão de centro militar no fim de semana foi comandado por ex-capitão, mas teve participação de primeiro-tenente responsável pelo armazenamento de armas e munições, diz ministro

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 21h23

CARACAS - Um dia depois de denunciar um ataque a uma instalação militar no Estado de Carabobo, que terminou com dois mortos e oito feridos, o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino López, admitiu nesta segunda-feira, 7, que o episódio teve participação de três oficiais militares – um deles da ativa. A cúpula chavista reduziu a relevância do levante e usou a TV pública para “demonstrar a força e a coesão” do Exército. 

A oposição, por sua vez, alertou para o risco de os protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro se tornarem cada vez mais violentos.

Segundo a versão de Padrino López, a ação teve a participação do primeiro-tenente Jefferson García, responsável pela guarda dos armamentos do Quartel de Paramacay. O ministro acrescentou que a operação foi liderada pelo ex-capitão Juan Carlos Caguaripano, expulso das Forças Armadas venezuelanas em 2014 após um tribunal militar tê-lo considerado culpado da acusação de tramar contra o presidente. Ele também declarou apoio a um movimento civil contra o presidente Nicolás Maduro liderado por Leopoldo López. 

Além de Caguaripano e García, teria participado da ação o primeiro-tenente Oswaldo Gutiérrez, foragido do quartel após ter sido acusado de roubar munições. Na ação do fim de semana, os homens conseguiram fugir levando armamentos – com exceção de Gutiérrez, que foi detido.

Maduro disse no domingo que uma incursão “terrorista” em uma instalação militar havia sido “debelada”. Ainda de acordo com o presidente, 20 homens, a maioria civis, participaram da ação. 

Desde o fim de semana, a segurança e serviços de inteligência em instalações das Forças Armadas foram reforçadas. “Eles foram influenciados pela direção política da direita venezuelana”, acrescentou o deputado e homem forte do chavismo Diosdado Cabello. 

O parlamentar chavista ameaçou hoje levar adiante uma iniciativa para punir quem “incentivou a violência”, referindo-se indiretamente a deputados da oposição, que controla a Assembleia Nacional.

No fim da tarde, o ministro da Defesa reuniu centenas de militares, uniformizados e armados em uma aparição no canal estatal VTV para rechaçar o ataque e reafirmar “a unidade” das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB). 

“Chamo à unidade nacional, para repelir com contundência e espírito patriótico esses atos vis e covardes contra a pátria de Simón Bolívar”, disse.

Segundo o ministro, investigações estão em curso para identificar outros possíveis responsáveis pelo ataque. “É surpreendente a reação dos organismos de segurança do Estado, que já estão colaborando com a investigação.”

Temor. Um dos líderes da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), o deputado Freddy Guevara, do partido Voluntad Popular, disse hoje que o ataque ao quartel em Carabobo é “um caminho que preocupa a todos”. Segundo ele, diante da radicalização do governo chavista, com o fechamento das alternativas democráticas e constitucionais, os insatisfeitos com o chavismo podem recorrer à violência. Maduro ameaçou prender o deputado por suas declarações.

 

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