Oficiais podem ter forjado atentados antes da posse de Uribe

Até quatro oficiais do Exército da Colômbia estariam envolvidos com uma suposta onda terrorista em Bogotá, dias antes da posse do presidente Álvaro Uribe para o seu segundo mandato, revelou a "Unidade Investigativa" do jornal "El Tiempo".O site do jornal afirma que um coronel, um major, um capitão e um tenente realizaram as "montagens" para obter "vantagens" e agradar a seus superiores.O próprio comandante do Exército, o general Mario Montoya, admitiu, em comunicado do Ministério da Defesa, que as ações atribuídas a terroristas "não correspondem à realidade" e dois oficiais teriam sido os responsáveis.Montoya falou aos jornalistas no Ministério da Defesa pouco depois de a revelação ser publicada no site do jornal."O recente atentado com um carro-bomba no qual foram feridos vários soldados e um cidadão morreu foi atribuído então a grupos à margem da lei, o que aparentemente não corresponde à realidade, assim como o suposto confisco de vários explosivos nos últimos dois meses", disse o general em comunicado oficial.O documento de seis pontos acrescenta que "os crimes podem ter sido cometidos por pessoas sem escrúpulos, entre as quais dois oficiais do Exército", que não foram identificados.O general Montoya se referia à explosão de um carro-bomba no setor noroeste de Bogotá, perto da Escola Militar de Cadetes, no qual morreu uma pessoa e 22 (21 soldados e um civil) foram feridas, dia 31 de julho, uma semana antes da posse de Uribe.Na mesma semana, as autoridades anunciaram a descoberta de várias barras de um poderoso explosivo num caminhão e a desativação de um táxi com explosivos num centro comercial, entre outras ações supostamente preparados por terroristas para sabotar o início do segundo mandato de Uribe.Martha Soto, editora da Unidade Investigativa do "El Tiempo", afirmou que pelo menos cinco atentados e ações desarticuladas de supostos terroristas, atribuídas pelo Exército e pela Polícia às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na realidade foram obra de militares.O general Montoya disse no seu comunicado que "a Procuradoria Geral da Nação, que antecipa a investigação, conta com o total apoio do Ministério da Defesa".Segundo o jornal, existem "vídeos, escutas telefônicas e testemunhas", que comprometem membros do Exército.

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