Oficial de alto escalão do Exército sírio deserta

General justifica fuga afirmando que militares de Assad se tornaram 'gangue de criminosos'

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2012 | 02h08

As forças leais ao ditador sírio Bashar Assad sofreram uma perda importante ontem com a deserção de um oficial de alto escalão do comando do Exército. O general Abdul Aziz Jassem al-Shallal anunciou sua decisão de aderir à oposição que tenta derrubar o regime sírio em um vídeo divulgado pela rede de TV saudita Al-Arabiya.

No vídeo, Al-Shallal afirma que se juntou à "revolução do povo". As imagens foram divulgadas na noite de terça-feira. O general explica sua decisão ao dizer que o Exército se desviou de sua missão de proteger a nação e se tornou uma "gangue que realiza assassinatos e promove a destruição".

Dezenas de generais desertaram desde o início da crise na Síria, em março de 2011, mas Al-Shallal é um dos mais experientes e detinha um alto posto quando decidiu deixar o governo. Em julho, Manaf Tlass, também um general sírio, foi o primeiro integrante do grupo de assessores próximos de Assad a deixar de apoiar o presidente e unir-se à oposição. Milhares de soldados também se juntaram aos rebeldes nos últimos meses.

A deserção ocorre em um momento no qual as forças leais a Assad estão sob pressão dos rebeldes sírios. Cada vez mais bases caem nas mãos dos dissidentes, que se aproximam perigosamente de Damasco.

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade vinculada aos rebeldes com base em Londres, ao menos 20 pessoas morreram em um bombardeio do Exército a um vilarejo na província de Raqqa. Ao menos oito delas seriam crianças.

Damasco. Novos confrontos foram registrados também no campo de refugiados palestinos de Yarmuk, ao sul de Damasco, durante a madrugada, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos. O ataque acontece uma semana depois de um combate no local ter resultado na fuga de cerca de 100 mil refugiados.

O episódio ocorreu apesar de um acordo entre os rebeldes e os soldados do governo de Assad, que prometerem retirar suas forças do campo, onde vivem cerca de 150 mil pessoas.

O local estava relativamente calmo até a noite de terça-feira, mas novos confrontos tiveram início nas primeiras horas de ontem, segundo Rami Abdel Rahman, integrante do Observatório. Mais de 700 palestinos foram mortos na Síria desde o início do conflito, mais de 21 meses atrás, informou, no domingo, uma autoridade palestina responsável pelos refugiados.

Negociações. Funcionários do Ministério de Relações Exteriores da Síria foram para Moscou ontem discutir propostas para acabar com a crise, que já dura 21 meses. O vice-chanceler Faisal Makdad e um assessor vão sondar autoridades russas sobre os detalhes de reuniões com Brahimi em Damasco esta semana, informou uma fonte de segurança síria.

Um funcionário libanês próximo ao governo de Assad disse que as autoridades sírias estavam otimistas depois de conversas com o enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, que se reuniu com chanceler sírio, Walid Moualem e Assad. / AP e REUTERS

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