Oficial militar do Egito vê forte queda de reservas cambiais

As reservas cambiais do Egito cairão em um terço para 15 bilhões de dólares até o final de janeiro e o déficit orçamentário vai crescer, possivelmente levando a uma revisão dos subsídios, disse um oficial do Exército nesta quinta-feira, destacando a má situação das finanças do país.

MARWA AWAD, REUTERS

01 de dezembro de 2011 | 14h12

As reservas caíram desde o levante que derrubou Hosni Mubarak, já que estrangeiros fugiram e turistas fizeram as malas, prejudicando duas das principais fontes de divisas do Egito.

No final de outubro, as reservas estavam em 22 bilhões de dólares, segundo dados do Banco Central do país, uma queda de 2 bilhões frente ao mês anterior e um declínio mais acelerado que o dos outros meses. Economistas disseram que esse nível limita o poder de fogo do governo para lidar com uma crise cambial iminente.

"Até o final de janeiro do próximo ano, as reservas estrangeiras vão cair para 15 bilhões de dólares," disse Mahmoud Nasr em um briefing sobre a economia. Nasr é o assistente para assuntos financeiros do marechal Mohamed Hussein Tantawi, o chefe do conselho militar que governa o país.

"Apenas 10 bilhões de dólares estarão disponíveis. Isso é o suficiente apenas para 2 meses (para cobrir as importações)," afirmou Nasr, acrescentando que 5 bilhões de dólares já estavam comprometidos em pagamentos a investidores estrangeiros ou outras obrigações.

O governo recusou uma linha de financiamento de 3 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional no verão. O ministro das Finanças na época disse que o Egito iria recorrer a recursos de financiamento internos e que o exército não queria aumentar as dívidas.

O atual ministro das Finanças afirmou que o Egito está pronto para buscar fundos do FMI de novo, mas Nasr refletiu o desconforto militar com empréstimos do FMI, dizendo que tais fundos vêm com condições e geram perguntas sobre questões de política soberana.

Nasr disse que o déficit no ano financeiro 2011/12 deve superar os 133 bilhões de libras egípcias (22 bilhões de dólares) previstos inicialmente pelo governo, o que representa 8,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo Nasr, o déficit agora subiria para 167 bilhões de libras egípcias em 2011/12, um nível que economistas calculam como cerca de 11 por cento do PIB.

"Existem várias soluções (para lidar com o déficit). Uma delas é rever os subsídios, particularmente os subsídios a combustível. Preferimos não pedir dinheiro emprestado do exterior. Os empréstimos vêm com amarras que minam a soberania do Estado," disse Nasr.

Os economistas têm questionado a capacidade dos bancos egípcios para cobrir o déficit sem fundos estrangeiros. Os subsídios aos combustíveis representam 20 a 25 por cento da despesa total do Estado.

(Reportagem adicional de Patrick Werr)

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