OIT diz que Mianmar pode usar trabalho forçado na reconstrução

A Organização Internacional do Trabalho(OIT) alertou na sexta-feira para o risco de o regime militarbirmanês recorrer ao trabalho forçado, inclusive de menores,para a recuperação dos estragos provocados pelo ciclone Nargis. Há mais de uma década a OIT, uma agência da ONU, acusa ajunta militar de Mianmar de obrigar moradores de aldeias atrabalharem em obras de infra-estrutura ou como carregadores doExército. Também há preocupação com o recrutamento de menoresno serviço militar. O regime da antiga Birmânia está sendo muito criticado pelarelutância em permitir a entrada de trabalhadores humanitáriosdepois do ciclone que deixou 134 mil mortos ou desabrigados em2 de maio. Em relatório divulgado na sexta-feira, a OIT alertou para"o risco ampliado da incidência do trabalho forçado, dotrabalho infantil, do tráfico humano e do trabalho de migrantesconforme as autoridades e indivíduos se derem conta daimensidão da tragédia". A OIT disse estar em contato com as autoridades de Mianmarpara impedir que isso aconteça. O relatório foi entregue àConferência Internacional do Trabalho, um evento anual, quereúne até 13 de junho em Genebra os 182 países da entidade. Nosábado, uma comissão importante da OIT deve discutir o caso deMianmar. "Da perspectiva da OIT, é importante assistir ascomunidades, mas o trabalho de reconstrução deve ser feito deacordo com os padrões internacionais", disse à Reuters orepresentante da OIT em Yangon, Steven Marshall. Até agora, não houve relatos de trabalhos forçados depoisdo ciclone. "[Mas] não estamos dizendo que não estáacontecendo", disse o funcionário. Mianmar extinguiu por decreto o trabalho forçado em 2000, edois anos depois a OIT foi autorizada a abrir um escritório nopaís. A entidade disse no relatório anual que vítimas do trabalhoforçado continuam sendo presas ou intimidadas quando tentamdenunciar abusos, o que desestimula denúncias e distorce osdados oficiais. Uma ouvidoria criada em fevereiro de 2007 járegistrou 89 denúncias. Seis jovens ativistas, condenados a 20 a 28 anos de prisãoem 2007 por participarem da organização de um seminário sobreos direitos dos trabalhadores no 1o de Maio, continuam detidos,segundo o relatório da OIT.

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