OIT sugere bolsa-escola para a África

O programa brasileiro bolsa-escola, pelo qual as mães recebem pagamento para que seus filhos freqüentem a escola, poderia servir de exemplo para a África, defendeu hoje o diretor do programa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) dedicado ao fomento da segurança sócio-econômica, Guy Standing.Segundo ele, o programa poderia refletir a maneira pela qual se pode melhorar a qualidade de vida e as possibilidades futuras de milhões de pessoas nas nações pobres da África. De acordo com ele, uma avaliação do bolsa-escola mostra que ele reduziu com êxito a pobreza e aumentou a taxa de freqüência às aulas. "Os resultados são muito alentadores. Isto poder reduzir a pobreza das mulheres e de suas famílias de modo substancial, melhorar o nível de freqüência escolar das crianças melhorar a participação da mulher no mercado de trabalho e reduzir a mão-de-obra infantil", disse. Através da iniciativa bolsa-escola, que começou em Brasília na administração de Cristovam Buarque (PT) e agora se estendeu para várias cidades brasileiras, as mulheres recebem uma soma fixa em dinheiro procedente dos cofres municipais desde que seus filhos assistam regularmente às aulas. A soma varia de cidade para cidade, mas pode chegar ao equivalente a um salário mínimo vital, que chega a US$ 80 atualmente.A economista da OIT Lena Lavinas disse que as mulheres contempladas com o pagamento através desse programa podem administrar suas famílias de modo mais eficiente, podendo até pagar transporte coletivo para ir trabalhar, acrescentou Lavinas. Além disso, a porcentagem de crianças que trabalham caiu de 30% para 8% entre os participantes do projeto, destacou. Atualmente, o programa brasileiro atende a 100.000 famílias, e está obtendo melhores resultados do que no México, onde presta ajuda e 2,6 milhões de famílias. Países como Equador Guatemala e Honduras estão estudando a viabilidade de aplicação do programa. "Acreditamos que existe uma sólida justificativa para aplicar programas de renda mínima vital em outras nações em desenvolvimento, e não apenas na América Latina", afirmou Lavinas. A OIT proporá a aplicação do projeto nos países da África na reunião dos países pobres que está marcada para a próxima semana em Bruxelas.

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