Oito brasileiros ainda desaparecidos em Nova York

O Consulado-Geral do Brasil em Nova York concentrava seu trabalho nesta segunda-feira na busca de oito brasileiros ainda desaparecidos - três dos quais funcionários das empresas Cantor & Fitzgerald e Marsh & McLennan, no World Trade Center (WTC).Mas a chancelaria passou a atender também outro grande problema: centenas de pessoas que telefonam do Brasil, apavoradas com a iminência de guerra, procurando ajuda para que parentes e amigos residentes em Nova York deixem os EUA.?Nunca foi tão seguro viver em NY?"Não há alarma", afiançou o cônsul-geral, Flávio Perri. "A cidade e suas redondezas estão bem protegidas e nunca foi tão seguro viver em Nova York." A preocupação parece ser maior no Brasil do que entre os brasileiros que vivem em Nova York, segundo o cônsul. Poucos moradores têm procurado a representação diplomática a fim de obter orientação sobre o que fazer em caso de guerra.Enquanto a própria cidade - excetuando a região sul, onde ocorreu o ataque terrorista - retomava seu ritmo cotidiano, os guichês de atendimento ao público no consulado também tinham nesta segunda-feira movimento igual ao de dias normais.Entre as dez pessoas que eram atendidas por volta do meio-dia, para tratar de diferentes assuntos, estava o casal paranaense Gelson e Giseli Krupek, que ia registrar a filha Rebeca, de 1 ano, nascida na cidade vizinha de Newark, em Nova Jersey, onde eles moram."Eu queria que elas fossem passar o Natal em Curitiba, mas minha mulher quer ficar aqui, e acho que não corremos perigo", explicou o marido. "Eu só soube do que estava acontecendo na terça-feira, porque minha mãe me telefonou para contar", disse Giseli. "Eles lá no Brasil estão muito assustados, mas acho que não corremos mais perigo."Centro de emergênciaPerri disse que o trabalho de procurar residentes concentra-se num número cada vez menor de pessoas. Pelas informações extra-oficiais, estão sendo procurados entre as vítimas Ivan Barbosa e Anne Marie Sallerin Ferreira, funcionários da Cantor & Fitzgerald, e Sandra Fajardo Smith, da Marsh & McLennan.O centro de emergência criado pela prefeitura para busca de desaparecidos e identificação de mortos informou que, provavelmente nesta terça-feira, dará instruções aos consulados e missões estrangeiras quanto ao procedimento para testes de DNA das possíveis vítimas. A família de Sandra já encaminhou ao centro cabelos e raio X dentário para o exame.

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