Oito membros da oposição morrem a tiros no Líbano

Partidários do Hezbollah e do Amal foram baleados após protesto contra falta de energia em Beirute

Beirute, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2008 | 00h00

Oito partidários da oposição libanesa foram mortos ontem a tiros em Beirute, depois de uma operação do Exército para acabar com um protesto contra cortes de energia. Segundo uma fonte não identificada citada pela agência Reuters, todos os mortos eram membros dos partidos xiitas Hezbollah e Amal - que há mais de um ano estão em um impasse político com a coalizão governista anti-Síria.A violência teria começado quando atiradores não identificados se aproveitaram da ação do Exército - considerado neutro na crise política - para disparar contra um ativista do Amal. Já uma outra versão fala que pelo menos uma das mortes teria ocorrido quando os soldados atiraram para o alto e um manifestante foi atingido. Outras 29 pessoas ficaram feridas nos confrontos de rua, os piores a ocorrer no país desde a guerra civil (1975-1990).O Exército iniciou uma investigação para descobrir quem foram os autores dos disparos. As mortes dos manifestantes ocorreram na área do protesto, Mar Makhaeil, sul de Beirute. Perto dali, em Ain Roummaneh - cenário de um massacre que deu início à guerra civil -, a explosão de uma granada deixou mais sete feridos, afirmaram fontes de segurança. Carros também foram incendiados no local. Manifestantes usaram pneus em chamas para bloquear várias estradas de Beirute, incluindo a rodovia que leva ao aeroporto. Os protestos se espalharam para além da capital, para vilas xiitas no sul e para o Vale de Bekaa, no leste. O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, pediu calma e declarou hoje dia de luto nacional.O partido Amal, liderado pelo presidente do Parlamento Nabih Berri, pediu que seus partidários saíssem das ruas. O Hezbollah, que lidera a aliança de oposição, usou alto-falantes para pedir calma. Em uma reunião de emergência ontem no Cairo, Egito, ministros árabes de Relações Exteriores concordaram que o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, deve atuar para ajudar os partidos rivais a chegar a um acordo sobre o gabinete ministerial do país. Por causa da crise política, o Líbano está sem um presidente desde novembro. REUTERS

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