David Mcdaniel/AP
David Mcdaniel/AP

Oklahoma festeja governadora e 'fim da sharia'

Estado-símbolo do conservadorismo dos EUA terá mulher no cargo pela primeira vez em sua história

Cristiano Dias ENVIADO ESPECIAL OKLAHOMA CITY, O Estado de S.Paulo

03 Novembro 2010 | 00h00

OKLAHOMA CITY

Os republicanos reuniram-se ontem em um prédio acanhado de Oklahoma City para comemorar a vitória de Mary Fallin, eleita a primeira governadora de um dos Estados mais conservadores do país, que há menos de 30 anos rejeitou uma emenda sobre igualdade de gêneros.

No entanto, o mais chocante da eleição local foi a aprovação, em referendo, de duas leis, uma que torna o inglês o idioma oficial do aparelho estatal, outra que proíbe as cortes estaduais de aplicar a Sharia, o código de lei islâmico.

Lei inconstitucional. A proposição que pôs a Sharia na ilegalidade tem um tom ainda mais extravagante porque rejeita também a aplicação do direito internacional em Oklahoma. Como o governo federal é responsável pela política externa e todos os tratados internacionais assinados por Washington obrigam os 50 Estados americanos, a lei é inconstitucional.

"Essa lei é um absurdo sem tamanho. Só foi colocada na cédula para atrair os eleitores republicanos", disse ao Estado Ryan Kiesel, porta-voz da campanha democrata. "Ela nunca será aplicada, porque a Constituição automaticamente anula seus efeitos."

"Na prática, essa lei não tem nenhuma validade", afirmou Drew Edmondson, procurador-geral de Oklahoma. "Foi uma jogada política para atrair eleitores conservadores às urnas. A maioria nem sabe do que se trata."

Outra estranha proposta aprovada ontem em Oklahoma foi a que tornou o inglês o idioma oficial do Estado.

Em um lugar em que a briga de galo é legalizada e pode-se comprar um rifle de grosso calibre em um supermercado ao lado da ração de cachorro, ambas as candidatas - Fallin, a republicana, e Jari Askins, do Partido Democrata, apoiaram a proposta.

Idioma oficial. O problema, segundo líderes da comunidade latina de Oklahoma City, é que muitos imigrantes, mesmos os que estão legais no país, só falam espanhol e não terão acesso a serviços públicos básicos, como tirar uma carteira de motorista.

"A maioria da colônia mexicana que precisa de um carro para trabalhar não deixará de dirigir. Essa lei apenas estimula a transgressão", afirmou Armando Rubio, diretor da Telemundo, maior canal de TV hispânico do Estado.

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