Ollanta Humala é o novo presidente do Peru, segundo apuração parcial

Candidato de centro-esquerda teria vencido a conservadora Keiko Fujimori com vantagem pequena.

Mariana Della Barba, BBC

05 de junho de 2011 | 21h54

O nacionalistas Ollanta Humala foi eleito neste domingo o novo presidente do Peru, segundo a apuração feita por institutos de pesquisas. O candidato de centro-esquerda teria vencido sua rival, a conservadora Keiko Fujimori, por uma pequena vantagem.

De acordo com o instituto Ipsos Apoyo, Humalla teve 51,4% dos votos, enquanto Keiko ficou com 48,6%. Os números apurados pela organização Transparência são praticamente os mesmos: 51,3% a 48,7%, respectivamente.

Os dados são baseados em uma contagem rápida dos votos, feita por amostragem logo no início da apuração e, segundo analistas, costumam ser mais fiéis que a pesquisa de boca de urna.

Logo após a divulgação dos primeiros resultados, partidários de Humala começaram a tomar a Praça 2 de Mayo, no centro de Lima. No início da noite, o local estava totalmente lotado de "humalistas", que agitavam bandeiras peruanas e outras estampadas com a letra "O", símbolo da campanha de Ollanta Humala.

"Governo inclusivo"

O chefe de campanha de Humala, Félix Jiménez, afirmou que não há motivos para que cidadãos e empresários temam o resultado da eleição, já que o novo governo vai respeitar a atual política monetária e econômica do Peru.

"Humala fará um governo para todos os peruanos, sem exclusão social. Vamos aumentar o salário mínimo e investir em programais sociais e para isso vamos convocar os melhores profissionais", disse Jiménez.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura e que apoiou Humala no segundo turno, disse que com a vitória do nacionalista seu trabalho havia terminado.

"Parcitipei para salvar a democracia no Peru. Me comprometi em nome da liberdade e dessa democracia. Se Ollanta Humala não cumprir seus compromissos, eu estarei na primeira fila para lembrá-lo de suas promessas."

Nos últimos dias de campanha, Humala moderou ainda mais seu discurso, para atrair os indecisos, que somavam até 10% dos eleitores.

Durante toda a campanha, ele procurou se afastar da imagem do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Segundo pesquisas na época, essa relação era o principal motivo de rechaço contra ele entre os peruanos.

Incertezas

Durante a manhã e tarde de domingo, os peruanos saíram para escolher entre Keiko e Humala, após uma corrida presidencial dominada por incertezas e posições extremistas.

O processo eleitoral transcorreu normalmente, apenas com alguns problemas que não chegaram a atrapalhar a votação, segundo observadores internacionais e o Departamento Nacional de Processos Eleitorais do Peru. Com o dedo marcado de tinta indelével pela última vez, já que as próximas eleições serão com urna eletrônica, os eleitores estavam tranquilos durante a votação em Lima, mas se diziam tensos e preocupados com o resultado. No bairro central de Miraflores, militares armados acompanhavam a votação nos corredores da escola escola Juana Alarco de Dammert. Ao sair de sua sala, o administrador José Antonio Marote, de 50 anos, contou que votou nulo: "Os dois (candidatos) passaram o tempo todo fazendo ataques um contra o outro e mal falaram de suas propostas." Para ele, essa é uma eleição decepcionante, pois a grande maioria da população está insatisfeita, votando pelo mal menor. "Agora, meu único medo é que, se perder, Humalla convoque seus seguidores para irem protestar nas ruas." Já o filho de Marote de 18 anos, que tem o mesmo nome do pai, votou pela primeira vez nessas eleições e escolheu Keiko, embora acredite que Humala seja o vencedor. "Vi nas pesquisas divulgadas lá fora que ele está na frente. Mas se ele perder acho que não vai ter nenhum problema. Ele já perdeu uma vez e não aconteceu nada", disse, sob o olhar de desaprovação do pai

Temor

Nelli Flores, de 19 anos, eleitora de Keiko tem outro temor.

"Acho que se o Humalla ganhar, vai ser muito ruim para as empresas privadas, principalmente as pequenas, como a minha", disse a peruana, que tem um escritório de serviços de reformas.

Prestes a entrar na sala em que deveria votar, a enfermeira Lucia Vienueva, de 50 anos, afirmou que ainda não sabia em que ia votar.

"No primeiro turno, votei por PKK. Por isso acho que agora vou votar em Keiko", disse a Vienueva, em referência ao candidato Pedro Pablo Kuczynski, que passou a apoiar a candidata conservadora. "Na hora, vou fechar os olhos e escolher um dos dois."

Propaganda eleitoral

O chefe da missão da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que monitora a eleição peruana, Dante Caputo, disse que o segundo turno havia sido mais tenso que o primeiro, por enfrentar um cenário "muito mais polarizado".

"Mas tudo está bem tranquilo, até agora não tivemos nenhum inconveniente significativo", afirmou,

Na segunda-feira, a missão da OEA divulgará um primeiro informe sobre o processo eleitoral.

A diretora do Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol), Magdalena Chú Villanuea, afirmou que houve pequenos incidentes durante a votação, mas nenhum que atrapalhasse o processo.

A maior parte das irregularidades registradas (77%) foram de propaganda eleitoral ilegal e, em seguida, problemas com os materiais de votação (10%), como cédulas e urnas.

A diretora do ONPE acompanhou parte da votação no distrito de Pacarán (no sul de Lima), onde um grupo de 1.354 peruanos testou a urna eletrônica pela primeira vez e qualificou como "histórico" o uso do software eleitoral.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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