Olmert apresenta renúncia e deixa caminho livre para Tzipi

Chanceler foi incumbida formalmente de apresentar um novo governo

Reuters e AP , Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, apresentou ontem sua renúncia ao presidente israelense, Shimon Peres, na residência do chefe de Estado em Jerusalém. "Não foi uma decisão fácil e sei que para ele foi uma noite difícil", disse Peres após uma reunião de meia hora com Olmert, a quem agradeceu por "seus serviços ao Estado" e pela "forma honrosa" que deixou o cargo.Em seguida, Peres reuniu-se com representantes dos quatro principais partidos políticos do país - Kadima, Likud, Trabalhista e Shas - e encarregou da formação do novo governo a chanceler, Tzipi Livni, líder do do Kadima, a legenda majoritária na Knesset, o Parlamento do israelense. Tzipi, vencedora das eleições primárias do partido na semana passada, terá três dias para responder à incumbência e, após a formalidade, seis semanas para tentar formar um governo de coalizão.CORRUPÇÃOA chanceler, no entanto, já vem trabalhando há algum tempo em alianças partidárias. Ela pretende manter a atual coalizão governamental, que soma 64 das 120 cadeiras do Parlamento - 29 do Kadima, 19 dos trabalhistas, 12 do partido ultra-ortodoxo Shas e quatro do Partido dos Aposentados. Se ela conseguir, se tornará a primeira mulher a governar Israel em 34 anos, após a primeira-ministra Golda Meir. Se não obtiver apoio, Peres pode encarregar outra pessoa da formação do governo ou convocar eleições antecipadas, possivelmente para março de 2009. Em qualquer dos dois casos, Olmert seguirá como primeiro-ministro interino até que um novo Executivo seja formado.Olmert, de 62 anos, chegou à chefia de governo de Israel em janeiro de 2006 em razão do derrame cerebral sofrido pelo então premiê, Ariel Sharon. Dois meses depois, ele revalidou seu mandato vencendo as eleições gerais.Olmert, porém, viu-se obrigado a apresentar sua renúncia após perder o apoio de sua coalizão em razão de uma investigação suborno, corrupção, fraude, quebra de confiança, lavagem de dinheiro e outros delitos. A polícia disse ter provas de que Olmert recebeu US$ 150 mil de Morris Talansky, um investidor americano. O premiê ainda é suspeito de ter pedido a várias agências públicas dinheiro para os mesmo vôos na época em que foi prefeito de Jerusalém e ministro do Comércio.OS PROBLEMAS DE OLMERTSetembro/2006 - Olmert é questionado pela primeira vez a respeito de suborno e em razão da compra de uma propriedade em Jerusalém abaixo do preço de mercado Janeiro/2007 - Investigado por tráfico de influência na privatização do Banco Leumi Abril/2007 - Considerado culpado pelo fracasso da campanha israelense no Líbano Maio/2008 - Investigado pela polícia por causa de irregularidades em financiamento de campanha, suborno e por ter superfaturado notas em viagens ao exterior Julho/2008 - Pressionado, aceita renunciar assim que o seu partido, o Kadima, escolher um novo líder Setembro/2008 - Tzipi Livni vence as primárias do partido e apressa a queda de Olmert

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