Olmert contradiz Defesa e nega rearmamento do Hezbollah

O novo chefe da Defesa de Israel, o tenente-general Gabi Ashkenazi, disse nesta quarta-feira que o país talvez tenha que se confrontar com o Hezbollah para garantir que o grupo não se rearme após os confrontos entre ambos. A informação foi rejeitada, entretanto, pelo primeiro-ministro, Ehud Olmert, que afirma que as forças de paz da ONU e o exército do Líbano estão mantendo os guerrilheiros sob controle.Segundo Ashkenazi, o Hezbollah levou um duro golpe na guerra dos 34 dias com Israel, mas o líder Hassan Nasrallah e o grupo estariam tentando rapidamente reforçar suas milícias. De acordo com o jornal israelense Yedioth Ahronoth, guerrilheiros do Hezbollah, disfarçados de civis, estão tentando restabelecer a rede de bunkers que tinham na fronteira antes da guerra. Para Olmert, embora o Hezbollah esteja voltando a se armar, ela está tendo dificuldade para se reagrupar na fronteira, seu antigo reduto. A popularidade do premiê despencou no ano passado porque os israelenses acharam que a guerra não foi suficiente para esmagar a milícia xiita."Quando eles tentam aparecer, são desarmados e detidos pela força internacional e pela força libanesa," disse Olmert a repórteres estrangeiros. Ele disse que hoje é "quase impossível" para o Hezbollah atuar no sul do Líbano. "Não acho que eles tenham vontade de lutar de novo com Israel." Nasrallah disse este mês que o grupo está recebendo mísseis para substituir os milhares que lançou contra Israel ou que perdeu durante os ataques nos 34 dias de guerra, e que algumas armas estão chegando "ao front." As armas estariam chegando pela fronteira com a Síria, segundo o Yediot. A estimativa da inteligência israelense é que o Hezbollah possua mais de 10 mil foguetes de curto alcance, que restaram dos 12 a 14 mil que possuía antes da guerra. "A ONU tem de conter o recebimento de armas pelo Hezbollah, e, em nossa opinião, não estão sendo tomadas medidas suficientes," disse Shimon Peres ao Yedioth. A Unifil diz que seu mandato é garantir que o Hezbollah não tenha presença militar ao sul do rio Litani. A força não tem autorização para monitorar o recebimento de armas pelo Hezbollah. Israel e os Estados Unidos dizem que a Síria e o Irã fornecem armas, treinamento e dinheiro ao Hezbollah. Os dois países alegam que seu apoio ao grupo é puramente político. O ministro da Defesa do Líbano, Elias al-Murr, disse recentemente que o Exército libanês está monitorando de perto a fronteira com a Síria, e que não estão passando armas por lá. As tensões entre as forças israelenses e libanesas na fronteira vêm aumentando. Soldados dos dois lados trocaram tiros no dia 8 de fevereiro, depois que Israel ordenou uma busca por explosivos na fronteira. Não houve feridos. Na quarta-feira, as forças libanesas disseram ter atirado contra um avião-espião de Israel no sul do Líbano. Israel vem realizando esses vôos desde a guerra, desafiando a censura internacional. Os israelenses alegam que os vôos são necessários para monitorar a movimentação do Hezbollah.Discurso de OlmertO principal tópico do discurso do primeiro-ministro foi o pedido feito à comunidade internacional, para que uma atitude contra as ambições nucleares do Irã fosse tomada.Olmert defendeu também a guerra travada no Líbano e disse que as reclamações dos muçulmanos contra a construção israelense próxima à mesquita sagrada de Jerusalém uma tentativa de gerar ódio.Em aparição ante jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Olmert disse que seu governo não fará negócios com o emergente governo palestino, que se recusa a reconhecer Israel, runinciar a violência e aceitar antigos acordos de paz.Quanto à Síria, o premiê disse que a atitude do país de apoiar atos violentos barra qualquer possibilidade de negociação para a paz. "Estamos interessados em paz, não na indústria da paz...", disse Olmert, que criticou a Síria por apoiar o Hezbollah no Líbano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.