Olmert convidará Abbas para negociação após libertação de soldado

O primeiro-ministro israelense, EhudOlmert, convidará o presidente palestino, Mahmoud Abbas, a iniciarnegociações uma vez que o soldado Gilad Shalit, seqüestrado em Gazadesde em 25 de junho, seja libertado. A afirmação foi feita pelo vice-primeiro-ministro israelense,Shimon Peres, em declarações à rádio militar, nas quais assegurouque a intenção de Olmert é oferecer a aplicação do Mapa do Caminho,o plano de paz que a comunidade internacional elaborou em 2003. "(As partes) iniciarão negociações com base no Mapa do Caminho,esse é o único documento existente", afirmou Peres. Olmert disse ontem no Parlamento que abandonou seu plano originalpara uma retirada unilateral de partes da Cisjordânia, e que seuobjetivo agora é um acordo negociado e que estuda a possibilidade deuma reunião com Abbas. Ao ser consultado sobre quando ocorreria essa reunião, Peresrespondeu: "No momento em que o assunto do seqüestro de nossossoldados for resolvido. E espero que seja assim". Apesar de citar os militares no plural, Peres explicou que aabertura de negociações com a Autoridade Nacional Palestina (ANP)não depende da libertação dos outros dois soldados israelenses empoder da guerrilha libanesa Hisbolá. As declarações do vice-primeiro-ministro israelense coincidem cominformações de diversos meios de comunicação locais e estrangeirossobre uma iminente troca de prisioneiros entre Israel e asguerrilhas palestinas que mantêm o militar seqüestrado, com amediação do Egito. O jornal internacional em árabe Al-Hayat, que é editado emLondres, assegura em sua edição de hoje que Shalit já está no Egitoe que em troca Israel libertará 800 presos palestinos, em umprocesso de três fases a ser aplicado até dezembro. A informação do Al-Hayat sobre uma iminente troca foiconfirmada também pelo presidente da ANP, Mahmoud Abbas, emdeclarações a um jornal do Barein. Mas em Israel fontes governamentais desmentiram essa informaçãosob o argumento de que "preferem não falar do tema". Fontespalestinas envolvidas nas supostas negociações confirmaram ao jornalHa´aretz que o acordo ainda não foi firmado e que Shalit continuaem Gaza. "Não libertarei presos até que Gilad Shalit nos seja devolvido",assegurou Olmert nesta segunda-feira. Meios de comunicação israelenses informaram ontem que Israelimpôs como condições para uma troca que não soltará prisioneiros quetenham perpetrado crimes de sangue, e também não incluirá entre elesdois conhecidos dirigentes, Marwan Barghouthi, do movimento Fatah,nem Ahmad Saadat, líder da Frente Popular para a Libertação daPalestina (FPLP). Saadat é o responsável intelectual pelo assassinato doex-ministro de Turismo, Rehavam Zeevi, há três anos, em Jerusalém. Barghouthi,destacado líder político na Cisjordânia, foicondenado à prisão perpétua como autor intelectual do assassinato decinco civis israelenses por uma milícia do Fatah.

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