Olmert diz que acabará com fundos destinados a assentamentos

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, prometeu que o seu partido, o Kadima, irá cortar os gastos com os assentamentos judeus na Cisjordânia. Segundo o premier, as despesas com os colonos custam ao Estado dezenas de bilhões de dólares anuais. Caso a medida seja confirmada, este será o primeiro corte em 40 anos de ocupação israelense. As pesquisas de intenções de votos indicam que o Kadima terá uma grande vantagem em relação aos partidos rivais nas eleições do dia 28 de março. Olmert, em um discurso em Tel Aviv, disse que os "bilhões" gastos em assentamentos serão convertidos para Jerusalém, para o deserto do Negev e para a Galiléia, áreas subdesenvolvidas no sudeste e nordeste de Israel. Ehud Olmert assumiu a cadeira deixada por Ariel Sharon, após derrame sofrido pelo líder israelense no dia 4 de janeiro. Os colonos israelenses, por sua vez, pedem mais repasses para os assentamentos. "Para que o Estado de Israel sobreviva, é necessário aprofundar sua presença e investir mais nos assentamentos", disse Noam Arnon, porta-voz de uma pequena comunidade judaica da cidade de Hebron, na Cisjordânia. Ameaças Paralelamente, o ministro da defesa de Israel, Shaul Mofaz, advertiu que teme a retomada dos ataques contra o país, uma vez que a Autoridade Palestina estará dominada pelo Hamas. O ministro advertiu que o escolhido do Hamas para se tornar primeiro-ministro, Ismail Haniye, é um alvo em potencial de grupos israelenses. "Ninguém está imune", disse Mofaz para a Rádio do Exército, um dia após um ataque israelense contra um caminhão de sorvetes na Cidade de Gaza que matou dois militantes da Jyhad islâmica e três inocentes. Entre os mortos, estavam duas crianças. O negociador palestino Saeb Erekat exigiu que Israel continue com as negociações de um acordo de paz após o final das eleições israelenses. As negociações entre palestinos e israelenses estão paradas há dois anos. A perspectiva de um retorno das conversas diminuíram ainda mais com a chegada do Hamas ao poder. Os militantes deste grupo pregam a destruição Israel. O Hamas, que está em processo de formação de seu Gabinete Parlamentar, rejeitou todos os pedidos internacionais para renunciar a violência e a ideologia anti-israelense, mas mantém a uma trégua que já dura dois anos. O grupo está em uma briga interna contra o partido do atual premiê, a Fatah. Na última segunda-feira o Hamas tentou retirar todos os poderes de Abbas e fazer daquela sua última sessão parlamentar. A delegação da Fatah se retirou do parlamento em protesto, acusando o Hamas de estar deturpando as leis. Nesta terça-feira, a Fatah boicotou as sessões parlamentares e moveu uma ação na Suprema Corte palestina contra a ação do Hamas.

Agencia Estado,

07 Março 2006 | 16h23

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