Olmert diz que Israel está preparado para fazer concessões

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse nesta segunda-feira, 23, que Israel está preparado para fazer "compromissos de longa data" e "concessões muito dolorosas" para alcançar a paz com seus vizinhos.Em discurso durante uma cerimônia marcando o Dia da Independência de Israel, Olmert disse o país deve aos soldados mortos o "esforço para a paz". "O país deve considerar novas iniciativas diplomáticas", disse o premier.A Liga Árabe renovou recentemente a iniciativa de paz a Israel pedindo que sejam devolvidos todos os territórios ocupados em 1967, na Guerra do Oriente Médio. O plano também contempla uma solução para palestinos refugiados e seus milhões de descendentes.No entanto, Israel não concorda com a retirada total destes territórios, mas Olmert disse que pretende se esforçar para fazer concessões em busca da paz.CelebraçãoIsrael lembra nesta segunda seus soldados caídos no campo de batalha horas antes de começar, sob extremas medidas de segurança, as celebrações do Dia da Independência.Uma sirene soará na manhã desta segunda durante dois minutos em todo o país, às 11h (6h de Brasília), com a qual se iniciarão os atos de lembrança e homenagem em 43 cemitérios militares.Mais de 22 mil soldados, agentes das forças de segurança efuncionários do Estado morreram prestando serviços desde o fim do século XVIII, quando os primeiros imigrantes judeus se assentaram na Palestina, então sob domínio turco.A maioria deles morreu nas guerras entre Israel e seus vizinhos árabes a partir de 1948, ano em que o país conquistou sua independência, embora também se contabilizem as vítimas de atentados."É nossa obrigação com os soldados mortos e com seus familiares, e com todos os cidadãos de Israel, fazer todo o possível para atravessar de uma vez o longo caminho da guerra e construir a paz", manifestou ontem o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em um ato público.Como qualquer comemoração ou celebração judia, os atos delembrança começaram ontem à noite em frente ao Muro das Lamentações, com a colocação da bandeira a meio mastro, em um ato liderado pela presidente interina de Israel, Dalia Itzik.A jornada de luto será seguida hoje, ao cair da noite, pelo Dia da Independência.Israel obteve sua independência em 14 de maio de 1948, graças à Resolução de Partilha da Palestina das Nações Unidas de 29 de novembro do ano anterior, um fato histórico festejado por uns, os israelenses, e chorado por outros, os palestinos.Estes últimos qualificam esse processo como a "nakba" (catástrofe nacional), por significar a perda de suas terras e o começo de um banimento ainda por concluir para 4,4 milhões de refugiados.Estatísticas divulgadas nesta segunda indicam que em 1948 Israel tinha uma população de 806 mil habitantes, um número que hoje chegam a 7,1 milhões.Cerca de 80% da população atual israelense é judia e os 20%restantes são de origem árabe, porcentagens parecidas com as de 1948, um dia depois da criação do Estado de Israel.Anteriormente e sob o Mandato Britânico, quando toda a Palestina era uma unidade geográfica, a distribuição demográfica era inversa, com a maioria árabe.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.