Olmert diz que novas desapropriações são necessárias

Israel precisa desmantelar mais assentamentos judaicos na Cisjordânia, opinou o primeiro-ministro interino israelense, Ehud Olmert, em seu primeiro discurso político depois de assumir provisoriamente a chefia de governo do país.As declarações de Olmert resultaram em reações distintas por parte dos palestinos e de representantes dos colonos judeus. Enquanto a resposta palestina foi positiva, os colonos judeus reagiram com revolta à possibilidade.Olmert disse preferir um acordo negociado, mas não descartou a possibilidade de retiradas unilaterais, como ocorreu no ano passado, quando Israel desmantelou todos os 21 assentamentos judaicos da Faixa de Gaza e de quatro pequenas colônias isoladas no norte da Cisjordânia.Olmert, que substitui o primeiro-ministro Ariel Sharon, internado em coma depois de dois derrames cerebrais, considera que o principal desafio de Israel é "estabelecer suas fronteiras permanentes para assegurar a maioria judaica" em seu território.Durante discurso na Conferência de Herzliya, realizada anualmente, Olmert disse que Israel precisa promover novas retiradas dos territórios palestinos ocupados."A escolha entre permitir que os judeus vivam em todas as partes da terra de Israel e que vivam num Estado de maioria judaica exige abrir mão de partes da terra de Israel", disse Olmert, referindo-se ao Israel bíblico."Não podemos continuar controlando partes desses territórios onde vive a maior parte dos palestinos", declarou o primeiro-ministro interino.De acordo com ele, Israel manteria "zonas de segurança, os principais blocos de assentamentos judaicos e os locais importantes para o povo judeu, acima de tudo, Jerusalém, unida e sob controle israelense". Ainda segundo Olmert, "não pode haver Estado judeu sem soberania israelense sobre Jerusalém".Na abertura de seu discurso, ele qualificou a retirada israelense de Gaza e de uma pequena parte da Cisjordânia, em setembro do ano passado, como "um posto de convergência para Israel". Ainda segundo ele, Israel é a favor de um "Estado palestino moderno".O negociador-chefe da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Saeb Erekat, disse saber que tem em Olmert um parceiro de negociação. "Peço a ele que abandone a rota do unilateralismo e chegue a um acordo conosco. É isso o que deseja a maior parte dos israelenses."Em contrapartida, o Conselho dos Colonos rejeitou a possibilidade de novas retiradas israelenses dos territórios palestinos ocupados. Segundo os colonos, o discurso de Olmert foi "anti-semita" e não passa de mais um libelo sangrento contra os judeus.

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