Olmert inicia neste domingo negociações para formar nova coalizão

O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, começará neste domingo as negociações oficiais para formar o novo governo de Israel após as eleições de 28 de março, anunciaram neste sábaddo fontes próximas a seu partido, o Kadima. A missão lhe foi entregue na quinta-feira pelo presidente do país, Moshe Katsav, por ser o líder com mais chances de formar uma coalizão estável e com maioria no Parlamento. O diálogo, precedido por contatos informais, começarão entre representantes do Kadima, que venceu as eleições e ficou com 29 das 120 cadeiras do Parlamento, e do Partido Trabalhista, com 19 assentos. Olmert prometeu ao presidente Katsav tentar formar o quanto antes a "mais ampla coalizão possível". No entanto, analistas dizem que a dificuldade será a distribuição dos ministérios. Os grupos de Olmert e do líder trabalhista Amir Pérez se reunirão nas instalações do Hotel Kfar Hamacabiah, em Ramat Gan, no subúrbio de Tel Aviv. Olmert, herdeiro político do primeiro-ministro Ariel Sharon, que está há mais de três meses em coma, pretende contar com uma coalizão ampla para alavancar seus programas políticos e socioeconômicos e, assim, superar problemas graves de pobreza que afetam os israelenses. No âmbito político, já antecipou seu desejo de resolver o velho conflito no Oriente Médio mediante o plano de paz do Quarteto de Madri - Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia - conhecido como "Mapa de Caminho", que prevê a existência de um Estado palestino soberano junto ao israelense. Olmert antecipou que Israel fixará unilateralmente sua futura fronteira com os palestinos caso as negociações com o novo governo do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, fracassem ou não se concretizem. Por sua vez, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, estremecido com o Hamas pelo fato de o grupo não reconhecer Israel, previu neste sábado ao jornal inglês The Guardian que haverá "uma guerra dentro de 10 anos" se Olmert decidir determinar a fronteira sem negociá-la. O líder israelense propõe a desocupação de aproximadamente 90% dos 5.400 quilômetros da Cisjordânia, o desmonte de dezenas de assentamentos judaicos e o despejo de 90 mil dos 220 mil colonos. Olmert planeja montar uma coalizão de governo com o maior apoio parlamentar possível para o plano de retirada unilateral, caso as negociações com a ANP não avancem. Após conversar com representantes do Trabalhismo, o Kadima continuará a negociação para formar o governo com membros do Partido ortodoxo Shas, do Likud e do Yisrael Beiteinu, da direita nacionalista. Os parceiros potenciais de Olmert, além dos trabalhistas, podem ser o Shas, o Gil, o Judaísmo Unido da Torá, o Yisrael Beiteinu e a frente pacifista Yahad-Meretz. Neste caso, Olmert contaria com o respaldo de 89 legisladores. Olmert, de acordo com a Lei de Governo, tem 28 dias para formar a coalizão e mais 14 dias extras. Os 120 legisladores tomam posse no próximo dia 17.

Agencia Estado,

08 Abril 2006 | 12h25

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