Olmert inicia primeira visita aos EUA sem grandes expectativas

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, iniciou nesta segunda-feira sua primeira visita aos Estados Unidos sem grandes expectativas, devido a suas diferenças com Washington em torno do papel do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no processo de paz para o Oriente Médio.O dirigente israelense chegou à capital americana com a intenção de apresentar e conseguir apoio para seu próprio plano de retirada parcial da Cisjordânia, uma iniciativa que não gera entusiasmo em Washington.Olmert deve comunicar sua estratégia ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na reunião entre os dois na terça-feira na Casa Branca, onde também examinarão outros assuntos da agenda internacional, como a crise nuclear iraniana.O encontro servirá para que os dois governantes se conheçam um pouco melhor, segundo o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, que disse hoje à imprensa que não deve haver nenhuma decisão "formal"."Obviamente, falarão do Mapa do Caminho e dos próximos passos", disse o porta-voz, em referência ao plano de paz elaborado pelo Quarteto de Madri - EUA, UE, ONU e Rússia -, que prevê a criação de dois Estados.Bush ouvirá o plano de Olmert para avançar na delimitação das fronteiras de Israel, chamado de "Plano de Convergência", e que - segundo a imprensa - prevê o estabelecimento das fronteiras de Israel de forma unilateral e a evacuação de cerca de 70 mil colonos judeus da Cisjordânia.Autoridade de Abbas O presidente dos Estados Unidos também buscará saber a opinião de Olmert sobre o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, mas o responsável israelense já havia se pronunciado ontem sobre o assunto, em declarações à rede de televisão CNN.Segundo Olmert, Abbas não pode ser um bom interlocutor no processo de paz, porque "não tem poder suficiente" para impor sua autoridade ao Governo da ANP, liderado pelo movimento radical Hamas desde janeiro passado.O primeiro-ministro israelense deixou claro que está disposto a falar e a se reunir com Abbas para tentar mudar a posição do Hamas, desarmar as organizações terroristas e conseguir que o Governo da ANP reconheça Israel. "Negociarei com ele se for capaz de exercer a autoridade suficiente para mudar o Hamas", disse Olmert.O Governo dos EUA acredita que Abbas "tem um papel importante, porque continua sendo o presidente" da ANP, disse nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey."É alguém com quem podemos ter contato", e é alguém que compartilha e apóia a "solução de dois Estados" defendida por Bush, acrescentou.A administração americana acredita que, para avançar no processo de paz, deve haver dois interlocutores.Snow lembrou hoje - ao afirmar que "a viabilidade da Autoridade Palestina é um assunto chave" - que "não vamos reconhecer o Hamas até que este renuncie à violência".Boas relações A visita de Olmert e sua reunião com Bush são consideradas fundamentais pelas duas partes, porque servirá para que os dois líderes possam ver como se dão e começar a criar uma relação pessoal.A boa relação entre eles é fundamental, não só para o futuro do processo de paz no Oriente Médio, mas para outras disputas na região, como o problema nuclear do Irã - assunto sobre o qual também devem falar na terça-feira.Estes também são os assuntos que Olmert analisará na noite desta segunda-feira com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em um encontro preparatório antes da reunião com Bush, segundo o porta-voz do Departamento de Estado.Outro interlocutor do dirigente israelense durante sua visita de quatro dias a Washington será o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld.De acordo com sua agenda de trabalho, Olmert discursará na próxima quarta-feira às duas câmaras do Congresso e se reunirá com dirigentes da comunidade judaica nos EUA.

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