Olmert libertará prisioneiros palestinos em troca de soldado

O premier israelense, Ehud Olmert, disse nesta segunda-feira que espera reavivar os esforços de paz com os palestinos, parados há seis anos, afirmando que eles poderão ter um Estado independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza através de conversas com Israel. Olmert também afirmou estar disposto a libertar um grande número de prisioneiros palestinos em troca da libertação do cabo israelense Gilad Shalit, preso na Faixa de Gaza por extremistas palestinos. Este foi um dos discursos mais conciliatórios do premier israelense, que acrescentou que pode liberar os fundos retidos dos palestinos após a vitória do Hamas. Milhares de funcionários da Autoridade Palestina (AP) estão com salários atrasados por causa da medida. Shalit foi seqüestrados em junho passado por militantes ligados ao Hamas - grupo que lidera o governo palestino -, numa ação que levou à primeira incursão israelense em Gaza desde a retirada promovida em 2005 pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. A ofensiva desencadeou a primeira frente da recente guerra empreendida por Israel na faixa de Gaza e no Líbano. As afirmações de Olmert marcaram o primeiro dia de uma trégua estabelecida com grupos militantes palestinos para acabar com a violência que atinge a Faixa de Gaza há cinco meses. Mas novos ataques com foguetes promovidos por militantes palestinos ameaçam as últimas tentativas para se alcançar a paz na região. "Eu estendo minha mão aos nossos vizinhos palestinos em favor da paz, na esperança de que ela não seja retribuída vazia", disse Olmert. "Nós não podemos mudar o passado e não seremos capazes de trazer de volta as vítimas dos dois lados da fronteira", continuou o premier. "Tudo o que podemos fazer hoje é impedir futuras tragédias." Olmert afirmou que Israel está disposto a soltar vários presos palestinos, incluindo condenados a longas penas, em troca de Shalit. "Com a libertação de Gilad Shalit e sua volta são e salvo à sua família, o governo de Israel libertará diversos prisioneiros palestinos, mesmo aqueles que foram condenados a penas extensas", afirmou Olmert em um discurso. Em cerimônia pelo aniversário de morte de David Ben Gurion, fundador do estado israelense, Olmert disse que o futuro estado palestino terá "soberania absoluta, fronteiras definitivas e continuidade territorial". No que foi considerado como um grande discurso político, Olmert disse que os palestinos estão em um "cruzamento histórico", e que podem escolher continuar no caminho da violência ou da paz. Se escolherem o caminho da paz, Israel irá amenizar os postos de controle, e irá liberar os fundos da Autoridade Palestina, congelados desde que o Hamas assumiu o poder em março, disse Olmert. "Nós concordaremos em deixar grandes territórios e desmontar assentamentos que estabelecemos", afirmou. "Queremos fazer isso em troca de paz verdadeira." Condições Ainda assim, Olmert estabeleceu algumas condições para que o diálogo de paz funcione. Entre elas está a formação de um novo gabinete de governo palestino, mais moderado, que aceite uma proposta de paz apoiada pelos Estados Unidos - além da libertação de Shalit. Assim que o novo governo for estabelecido, Olmert prometeu convocar uma reunião imediata com o presidente palestino, o moderado Mahmoud Abbas. Com ele, Olmert disse que irá manter um diálogo "real, aberto, honesto e sério". Do lado palestino, o legislador Saeb Erekat, um aliado próximo de Abbas, disse que o governo está pronto para negociar um acordo de paz definitivo. "Eu acho que Olmert sabe que tem um parceiro, e ele é o presidente Abbas", disse ele. Ainda assim, membros do gabinete palestino liderado pelo islâmico Hamas disseram que o discurso de Olmert não passa de "pose". "Isso é uma conspiração. Trata-se de uma nova manobra. Olmert está falando de um Estado Palestino sem dar detalhes sobre as fronteiras", disse o porta-voz do gabinete, Ghazi Hamad. Texto ampliado às 16h57

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