Olmert mantém bloqueio aéreo e marítimo no Líbano

Após se reunir com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou nesta quarta-feira que não irá levantar o bloqueio marítimo e aéreo do Líbano antes da chegada das forças de paz. Annan exigiu a suspensão do bloqueio, que já dura sete semanas, afirmando que tal ação é de vital importância para o processo de paz. Annan reiterou nesta quarta-feira, em coletiva de imprensa conjunta com Olmert, sua exigência de que Israel suspenda o bloqueio do Líbano, e relembrou a sua importância para a recuperação da economia libanesa, e para reforçar a posição do governo libanês. Em outra ocasião, Annan classificou o bloqueio como humilhante. Annan afirmou que as autoridades libanesas lhe deram garantias de que estavam tomando as medidas necessárias para frear o contrabando de armas, e expressou sua confiança nessa promessa. Israel reiterou a afirmação feita na época do acordo para o cessar-fogo, de que não levanta o bloqueio enquanto as tropas internacionais não forem enviadas à fronteira entre Líbano e Síria, para impedir o fornecimento de armas para a milícia libanesa Hezbollah. Na coletiva, o primeiro-ministro israelense não respondeu às exigências de Annan para a suspensão do bloqueio. Ao ser perguntado a respeito por um jornalista, Olmert apenas mencionou a aplicação em sua totalidade da resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU. A resolução 1.701 proporcionou o cessar-fogo entre Israel e Líbano, com início no dia 14 de agosto. "A comunidade internacional não deve desviar sua atenção" até que esse objetivo seja atingido, afirmou o primeiro-ministro. Olmert disse que espera que o acordo de cessar-fogo constitua o começo de uma nova relação entre Israel e Líbano. "Espero que as condições mudem rapidamente, que permitam um contato direto entre o governo de Israel e o governo do Líbano para alcançarmos, espero, um acordo entre ambos países." Por outro lado, Annan reiterou seu compromisso de fazer tudo o que puder para conseguir a liberação dos três soldados israelenses capturados pelas milícias do Hezbollah no Líbano e do Hamas na Palestina. "Eu também sou marido e pai, e entendo a dor das famílias", afirmou. Annan disse que, em sua visita ao Líbano, exigiu às autoridades a libertação imediata e sem condições dos soldados israelenses e destacou que está convencidoda seriedade dos líderes libaneses em sua vontade para resolver a questão. O secretário-geral da ONU afirmou que, em sua opinião, os soldados capturados pelo Hezbollah, em 12 de julho, continuam vivos. Annan também expressou seu compromisso em fazer o possível para possibilitar a aplicação completa da resolução 1.701, e expressou sua satisfação com a decisão dos países europeus de enviar soldados para as forças de paz da ONU, cujo envio deve ser antes da retirada das tropas israelenses do sul do Líbano.Em sua entrevista na noite de terça-feira, junto com o ministro da defesa israelense, Amir Peretz, Annan afirmou que Israel era o responsável pela maioria das violações do cessar-fogo. Após a visita a Israel, onde também se reuniu com o vice-premiê, Sion Perez, com o ministro da defesa, Amir Peretz, e com a ministra do exterior, Tzipi Livni, Annan viaja aos territórios palestinos para conversar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas.O secretário-geral disse nesta quarta-feira, ao concluir suas conversas em Israel, que vai embora convencido de que tanto este país como o Líbano "estão determinados a aplicar plenamente a resolução 1.701" do Conselho de Segurança da ONU sobre o cessar-fogo.

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