Olmert rejeita ligação entre Iraque e conflitos com vizinhos

O premier israelense Ehud Olmert disse nesta quinta-feira que ele não concorda com o relatório do grupo de estudos sobre o Iraque, que relaciona os esforços para estabilizar o Iraque com novas iniciativas a fim de cessar os conflitos entre Israel e seus vizinhos."A tentativa de criar uma ligação entre a questão iraquiana e a do Oriente Médio - temos uma visão diferente", disse Olmert em sua primeira resposta ao grupo de estudos do Iraque.O relatório dos EUA pede por conversas diretas entre Israel e seus vizinhos Síria, Líbano e palestinos, e diz que um esforço concentrado para resolver o conflito árabe-israelense iria melhorar a situação no Iraque. Olmert afirmou que as condições não são favoráveis para a retomada de conversas com a Síria, há muito paradas, e que ele não recebeu indicações do presidente Bush durante sua recente visita a Washington de que os EUA iriam pressionar Israel a iniciar tais conversas. O presidente sírio Bashar Assad pediu nos últimos meses por uma nova rodada de conversas com Israel, mas Olmert as rejeitou. "A questão sobre o que Israel pode oferecer à Síria já foi levantada antes. A questão é, o que podemos obter dos sírios se entrarmos nas negociações", afirmou. Funcionários do governo citados nesta quinta-feira pela rádio pública disseram que uma parte do relatório apresentado na quarta-feira em Washington foi antecipada pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, em sua visita na semana passada ao primeiro-ministro, EhudOlmert. O relatório, que adverte que Washington não poderá alcançar seus objetivos no Oriente Médio sem intervir para resolver o conflito árabe-israelense, aconselha Bush a convocar uma conferência de paz com a participação de Israel, Síria e a Autoridade NacionalPalestina (ANP). No entanto, o ministro de Infra-estruturas israelense, Binyamin Ben-Eliezer, também minimizou as recomendações apresentadas ao governo de George W. Bush e destacou que o Executivo israelense conhecia parte do relatório. O vice-primeiro-ministro israelense, Shimon Peres, afirmou nesta quinta-feira que "não existe qualquer relação entre Israel e as atividades dos Estados Unidos no Iraque". "Portanto, também não existe relação entre esse relatório e Israel. A invasão do Iraque começou sem nenhum vínculo com Israel, a política americana é realizada sem relação com Israel, e também não haverá este vínculo no futuro", assegurou Peres. O relatório afirma que Israel deve devolver à Síria as Colinas do Golã, que conquistou na guerra de junho de 1967, em troca de um tratado de paz como os que assinou com o Egito, em 1979, e com a Jordânia, em 1994. Olmert já disse recentemente que Israel não devolverá o território à Síria. Nas Colinas de Golã está localizado o lago Tiberíades, principal reserva de água potável do país, e estão estabelecidos atualmente 35 assentamentos judaicos. O ministro do Interior israelense, Ronnie Bar-On, incitou na quarta-feira os israelenses a se assentarem neste território, que Israel anexou em 1981, pois "quem fala em devolver Golã não sabe o que diz". Quanto as palestinos, "Israel negocia com eles e as dificuldades que existem não se devem ao Iraque, mas ao movimento islâmico Hamas", ressaltou Peres.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2006 | 10h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.