Olmert se nega a estabelecer data para fim de ofensiva em Gaza

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirma que não pode impor uma data limite à ofensiva do país em Gaza, onde o Exército israelense fez mais ataques aéreos na madrugada deste domingo contra instalações civis e milicianos palestinos. "Isto é uma guerra à qual não se pode impor um calendário", disse Olmert neste domingo, na reunião do conselho de ministros.O dirigente israelense reiterou que não negociará com o Hamas a libertação do soldado Gilad Shalit, seqüestrado por milicianos palestinos da Faixa de Gaza em 25 de junho."Não negociaremos com o Hamas, não negociaremos com terroristas", disse. Olmert ainda insistiu com seus ministros que não façam declarações sobre os procedimentos para obter o resgate de Shalit "devido à condição delicada do assunto".Na reunião, o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, pediu paciência nos esforços para a libertação do soldado Shalit. Ele argumentou que, com o progresso da operação militar na Faixa de Gaza, a oposição palestina à luta aumentará.O Exército israelense iniciou há 13 dias uma operação militar de grande escala em Gaza em resposta ao seqüestro do soldado Shalit e afirma que matou mais de setenta palestinos até o momento - a maioria deles nos últimos três dias.A ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, declarou que o Hamas, responsável pelo seqüestro de Shalit, tenta se mostrar moderado e flexível como, por exemplo, com as declarações do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, que pediu um cessar-fogo bilateral neste sábado."A intenção é buscar pressão internacional para encerrar a operação em Gaza", disse Livni.O ministro de Segurança Pública israelense, Avi Dichter, exigiu, na reunião, que o Governo informe ao Exército "claramente e sem ambigüidades" que deve fazer tudo, sem limites, para acabar com o disparo de foguetes Qassam contra Israel.Estas declarações foram feitas após o chefe da brigada Golani, o general Tamir Yadai, dizer hoje que a operação do Exército na Faixa de Gaza não freará de nenhuma maneira o disparo de foguetes.Já que os milicianos continuam a disparar foguetes, a operação do Exército israelense se concentra por enquanto no norte da Faixa de Gaza, de onde os projéteis são lançados, e não tanto no sul, onde se acredita que Shalit está.Um dos foguetes atingiu esta semana a cidade de Ashkelon e outro feriu um homem de 42 anos hoje em Sderot.Na manhã deste domingo, as forças aéreas israelenses dispararam mísseis contra pelo menos três grupos de milicianos e causaram ferimentos a, no mínimo, oito deles, quatro das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, braço armado do Fatah, e quatro da Jihad Islâmica.As forças aéreas do Exército israelense voltaram a atacar nesta madrugada uma estação de transformadores que abastece a cidade de Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza, e dispararam contra um edifício do movimento nacionalista do Fatah, ao sul de Gaza, e contra uma ponte ao norte.Além disso, fontes palestinas afirmaram que soldados israelenses voltaram à região onde ficava o assentamento judaico de Doguit, antes de sua evacuação e posterior destruição há quase um ano.O Exército tinha saído no sábado de Doguit, no extremo norte da Faixa de Gaza, após chegar ali dias antes.A organização UNRWA, agência da ONU encarregada de ajudar os refugiados palestinos, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiram neste domingo, em comunicado conjunto, que a situação humanitária nesse território palestino piorou.Estes organismos afirmam que Gaza está à beira de uma catástrofe humanitária e os hospitais só podem funcionar sem energia elétrica por mais duas semanas, quando não restará mais gasolina para abastecer seus geradores.

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