Olmert tenta aproximar Israel da China para pressionar Irã

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, que se reuniu nesta quarta-feira, 10, com o premier da China, Wen Jiabao, lembrou em sua visita ao país asiático os pontos em comum no passado de judeus e chineses, dois dos povos que mais sofreram na Segunda Guerra Mundial, para tentar uma aproximação a Pequim."Quem dera meus antepassados pudessem estar aqui comigo", afirmou Olmert, emocionado, ao iniciar a reunião com Wen. Foi uma alusão ao fato de seus pais e avôs terem vivido no país na primeira metade do século passado, como refugiados.O primeiro-ministro israelense realiza uma viagem oficial de três dias à China que terminará na quinta-feira com uma reunião com o presidente Hu Jintao na qual Olmert, segundo os analistas, buscará convencê-lo a aumentar as pressões contra o programa nuclear do Irã, que Pequim vê com benevolência.Em sua tentativa de ganhar a simpatia do gigante asiático, Olmert lembrou em entrevistas à imprensa local que Israel "é muito agradecido pelo tratamento que a China deu ao povo judeu" durante a Segunda Guerra Mundial.Naquele tempo, cidades como Xangai serviram como refúgio para comunidades judaicas, acolhendo inclusive os avôs e pais do primeiro-ministro, que moraram em Harbin, no nordeste do país.Olmert também comparou o sofrimento dos dois povos: na Europa, os nazistas mataram seis milhões de judeus no Holocausto, e, na Ásia, os chineses sofreram com a agressividade dos invasores japoneses.A iniciativa diplomática de Olmert para se aproximar da China aconteceu em um momento no qual Pequim mantém uma intensa relação política e comercial com Teerã, e defende o direito iraniano de ter energia nuclear com fins pacíficos.O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad - que defende abertamente a eliminação do Estado de Israel -, visitou a China no ano passado, e o negociador de Teerã para a questão nuclear, Ali Larijani, reuniu-se com Hu Jintao na semana passada para buscar mais apoio de Pequim ao programa nuclear iraniano.No dia 23 de dezembro, a China votou em favor de sanções contra o Irã se o país continuasse com seus programas de enriquecimento de urânio, suscetível de uso com fins militares.Entretanto, conseguiu fazer a Rússia suavizar as medidas de pressão contra Teerã, e continua defendendo um programa nuclear iraniano, se este for apenas civil.Os analistas consideram que China não vai dar muito apoio a Olmert em seu pedido de aumentar as pressões sobre Teerã, levando em conta os fortes interesses das empresas petrolíferas chinesas no Irã, onde as companhias do gigante asiático já exploram várias jazidas de petróleo e gás natural.Além disso, ainda pode haver outros pontos de tensão entre a China e Israel, pois em julho de 2006 mísseis israelenses mataram um observador chinês da ONU no sul do Líbano, durante a operação militar do Estado judeu contra o grupo xiita Hezbollah.Acordos comerciaisOlmert obteve nesta quarta pelo menos a assinatura de dois acordos comerciais entre China e Israel, países que até 1992 não tinham relações diplomáticas.Na presença de Wen e Olmert, e do ministro do Comércio da China, Bo Xilai, altos funcionários dos dois Governos assinaram um acordo que permitirá a importação e exportação de cítricos entre os dois países, e outro de intercâmbio de pessoal entre os governos chinês e israelense, visando aos Jogos Olímpicos de 2008.Além disso, o embaixador israelense na China e a vice-ministra da Cultura Meng Xiaosi assinaram um acordo para intensificar as atividades culturais entre os dois países no quadriênio 2007-2010.Olmert visitou na terça-feira as instalações para os Jogos Olímpicos de 2008 e uma fazenda experimental com investimento conjunto sino-israelense.Nesta viagem, o primeiro-ministro israelense não visitará o túmulo de seu avô, em Harbin, por problemas de agenda. Já o fez, entretanto, em 2004, antes de assumir o governo do Estado judeu. "A China não é um país qualquer para mim, é parte da herança da minha família", lembrou recentemente Olmert.Pequim adotou uma postura hostil para com Israel nos anos 70 e 80, e apoiou a luta armada de grupos como a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Porém em 1992, após o estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois governos, passou a ter uma atitude mais neutra.A China, que tenta ganhar peso na arena internacional após décadas de isolamento, está lançando propostas para transformar o Quarteto mediador no conflito palestino-israelense (União Européia, EUA, Rússia e a ONU) em um Quinteto com a presença de Pequim.

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