AP Photo/Alex Brandon
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Governo americano fechará missão palestina em Washington, diz OLP

De acordo com secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina, medida é uma retaliação do governo de Donald Trump por palestinos atuarem junto ao Tribunal Penal Internacional (TPI) 'contra os crimes de guerra de Israel'

O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2018 | 11h30

JERUSALÉM - O governo dos Estados Unidos informou à direção palestina a decisão de fechar a missão palestina em Washington, anunciou o secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) Saeb Erekat, que denunciou uma "escalada perigosa" nas medidas de retaliação americanas.

"Fomos oficialmente informados que a administração dos EUA fechará nossa embaixada em Washington como punição por continuarmos a trabalhar com o Tribunal Penal Internacional (TPI) contra os crimes de guerra de Israel", disse Erekat, número dois da OLP.

"É uma nova demonstração da política de castigo coletivo praticada pela administração Trump contra o povo palestino, do qual já cortou a ajuda financeira para serviços humanitários, incluindo nos setores de saúde e educação", completou Erekat.

"Esta perigosa escalada mostra que os EUA buscam desmantelar o sistema internacional para cobrir os crimes israelenses", disse.

A decisão é a mais recente de uma série de iniciativas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump contra a direção palestina, que por sua vez congelou as relações comas autoridades americanas desde que Washington reconheceu unilateralmente, em dezembro de 2017, Jerusalém como capital de Israel

Um artigo em uma lei americana diz que a missão da OLP deve ser fechada se os palestinos tentarem fazer com que o TPI processe os israelenses por crimes contra os palestinos. O ex-secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson disse em novembro que os palestinos cruzaram essa linha dois meses antes.

Embora israelenses e palestinos não estejam envolvidos em negociações ativas e diretas, o governo de Trump tem trabalhado para mediar um acordo de paz que acabaria com o conflito israelo-palestino. Liderados por Jared Kushner, genro de Trump e um de seus principais assessores, funcionários da Casa Branca preparam uma proposta de paz que será apresentada em um momento não especificado.

Trump prometeu buscar o "acordo final" entre palestinos e israelenses. No entanto, tal acordo é improvável dada a desconfiança palestina com seu governo.

A OLP do presidente palestino Mahmoud Abbas é considerada pela comunidade internacional como o organismo que representa o povo palestino e controla a Autoridade Palestina.  Apesar de os EUA não reconhecerem o Estado palestino, a OLP mantém um escritório com uma "delegação geral" em Washington que facilita as interações de oficiais palestinos com o governo americano.

Os EUA autorização a OLP a abrir uma missão em Washington em 1994, uma decisão que obrigou o então presidente americano Bill Clinton a suprimir uma lei proibia os palestinos de terem um escritório na capital americana. Em 2011, sob o governo de Barack Obama, os EUA autorizaram os palestinos a exibirem sua bandeira no topo da representação, uma atualização no status de sua missão que os palestinos saudaram como histórico. / AFP e AP

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