Kayhan Ozer/Efe
Kayhan Ozer/Efe

OLP pedirá adesão total da Palestina à ONU

Ignorando veto dos EUA, negociador palestino diz que proposta será levada ao Conselho de Segurança e terá como base fronteiras pré-1967

, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2011 | 00h00

RAMALLAH, CISJORDÂNIA

Mohamed Shtayyeh, negociador palestino e membro do comitê político da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), garantiu ontem a um grupo de jornalistas em Ramallah que os palestinos pedirão ao Conselho de Segurança sua admissão como membro pleno da ONU.

"A decisão de ir à ONU faz parte de uma estratégia para passar de um marco bilateral de conversas a um marco multilateral", disse Shtayyeh. De acordo com ele, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, submeterá o pedido ao Conselho de Segurança antes de seu discurso na ONU, previsto para o dia 23. A solicitação incluiria a admissão da Palestina como membro pleno e com as fronteiras de 1967.

Foi a primeira vez que um funcionário de alto escalão da OLP revelou as intenções palestinas e parte da estratégia para obter reconhecimento da comunidade internacional à sua soberania e às fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967.

No entanto, para a Palestina tornar-se membro pleno é preciso a aprovação do Conselho de Segurança e os EUA já prometeram vetar a proposta. Embora Shtayyeh não tenha entrado em detalhes, provavelmente o plano B dos palestinos seria recorrer à Assembleia-Geral da ONU, pedindo a adesão como Estado não membro. Para isso, bastam dois terços dos 193 votos.

Esforço. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou ontem o envio à região de dois diplomatas em um último esforço para evitar que os palestinos levem a proposta à ONU. David Hale e Dennis Ross se reunirão nos próximos dias com Abbas e com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu.

"As negociações diretas entre as partes são o único meio de chegar a uma solução duradoura. É uma via que passa por Jerusalém e Ramallah, não por Nova York", disse Hillary, que foi criticada por analistas árabes por usar Ramallah como referência aos palestinos - que consideram Jerusalém sua capital. / REUTERS e AFP

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