EFE/EPA/Ken Cedeno / POOL
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Ômicron se espalha pelos EUA, que temem uma nova onda em janeiro

Oficialmente, nova cepa representa 3% dos vírus sequenciados, mas muitos afirmam que o número está subestimado e ela já se espalhou por várias partes do país

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 20h22
Atualizado 16 de dezembro de 2021 | 21h39

WASHINGTON - A disseminação da nova variante Ômicron pode trazer uma nova onda de caos, ameaçando exaurir funcionários de saúde que já combatem o aumento na pandemia provocado pela variante Delta. O presidente americano, Joe Biden, advertiu nesta quinta-feira, 16, que a cepa deve se propagar muito mais rápido e alertou à população para que se vacine ou tome a dose de reforço. “Estamos diante de um inverno (Hemisfério Norte) de doenças graves e mortes para os não vacinados”, disse o presidente. 

A Casa Branca insiste que não há necessidade de lockdowns, porque as vacinas estão disponíveis e parecem oferecer proteção contra o vírus. Mas, mesmo se a Ômicron for mais branda do que a Delta, ela poderá desarmar algumas das ferramentas disponíveis para salvar vidas e colocar imunodeprimidos e idosos em risco, à medida que avança rapidamente pelos EUA. 

“O surto de Delta está em andamento e, na verdade, acelerando. E, em cima disso, ainda temos o surto da Ômicron”, afirmou o médico Jacob Lemieux, que monitora variantes do coronavírus para uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard. “Isso é alarmante, porque nossos hospitais já estão lotando. As equipes estão exaustas.” 

Disseminação exponencial

O mais provável, segundo especialistas, é que um surto de Ômicron já esteja em andamento nos EUA, e a nova variante supere a capacidade do país de rastreá-la. Com base em amostras coletadas na semana passada, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirma que a Ômicron representa 3% dos coronavírus sequenciados no país.

As porcentagens variam segundo região, a área de incidência mais alta é Nova York, com 13%. Especialistas de Harvard, porém, afirmam que esses números estão subestimados, porque a Ômicron está se espalhando tão rapidamente que as pesquisas não conseguem acompanhar. 

Globalmente, mais de 75 países registraram casos de covid provocados pela Ômicron. Nos EUA, 36 Estados detectaram a nova cepa. Enquanto isso, a incidência da variante Delta está aumentando em muitos lugares, com epicentros no Nordeste e Meio-Oeste. 

Diante das infecções, universidades estão encerrando as aulas abruptamente nas semanas dos exames finais. As ligas de basquete (NBA) e hóquei (NHL) tiveram de adiar partidas, e a de futebol americano (NFL) teve seu pior surto na pandemia num período de dois dias, com dezenas de jogadores infectados. 

Mutações preocupam

Cientistas de todo o mundo ainda tentam decifrar a Ômicron, que tem um grande número de mutações preocupantes em importantes regiões de sua estrutura genética, que poderiam afetar a maneira como a cepa se espalha. A velocidade com que o número de casos dobra, conhecida como “tempo de duplicação”, pode oferecer uma previsão das consequências nas próximas semanas.

A diretora do CDC, Rochelle Walensky, afirmou que dados preliminares indicam que a Ômicron é mais transmissível do que a Delta, com o “tempo de duplicação” de aproximadamente dois dias. O médico Anthony Fauci, o maior especialista em doenças infecciosas dos EUA, disse que ainda não há necessidade de uma dose de reforço específica para combater a cepa. As duas doses das vacinas da Pfizer e da Moderna ainda parecem oferecer proteção considerável contra hospitalizações, afirmou Fauci./ AP

TRADUÇÃO DE GUILHERME RUSSO

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