OMS alerta para riscos do terrorismo biológico

Recentes avanços em tecnologia tornaram possível aos terroristas matarem milhões de pessoas com armas químicas e biológicas, informa a agência de saúde da Organização das Nações Unidas. "A magnitude de possíveis impactos em populações civis do uso ou da ameaça de uso (de armas químicas e biológicas) obriga os governos a buscar meios de prevenção e preparar planos de resposta", afirma o documento "Aspectos de Saúde de Armas Químicas e Biológicas" da Organização Mundial da Saúde (OMS).A agência preparou o informe de 179 páginas à luz dos ataques terroristas contra os Estados Unidos em 11 de setembro, e depois de ter recebido telefonemas de governos solicitando conselhos sobre como combater uma possível guerra biológica. "A ameaça é real", afirmou David Heymann, diretor-executivo para doenças comunicáveis, à agência Associated Press. "Há agentes que, caso sejam usados em uma área com milhões de pessoas, poderiam infectar um grande número delas", disse.Funcionários de empresas de fertilizantes do Estado americano da Flórida afirmaram que um grupo proveniente do Oriente Médio solicitou informações sobre aviões pulverizadores nos meses que precederam os ataques em Nova York e Washington. Um dos empregados identificou um dos homens do grupo como Mohamed Atta, suspeito de ter sido um dos suicidas nos atentados.O documento divulgado hoje afirma que a tecnologia moderna tornou os ataques de larga escala com veneno ou vírus uma realidade. Embora a ameaça seja ainda pequena, seus eventuais efeitos seriam devastadores.Segundo a OMS, se poucas pessoas forem infectadas com uma doença que fique incubada por vários dias, elas poderiam passar a doença para muitas outras antes de descobrirem que estão doentes. De acordo com Heymann, se isso ocorrer em uma cidade com um grande aeroporto, a doença poderia ser espalhada por todo o mundo. Segundo o documento, a preparação para um ataque biológico é praticamente a mesma que para uma epidemia natural, que necessita de um grande planejamento de saúde."Em um mundo onde 14 milhões de pessoas já morrem a cada ano de doenças infecciosas conhecidas, é muito difícil bloquear os trabalhos em cima de doenças que estão sendo preparadas para serem usadas em um ataque", concluiu Heymann.

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