OMS anuncia controle da Sars e alerta sobre possível volta

Depois de infectar cerca de 8,4 mil pessoas em todo o mundo e de gerar a morte de 812, o surto do vírus responsável pela síndrome respiratória aguda grave (Sars, em inglês) está sob controle. Ontem, em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou Taiwan da lista dos locais onde ainda estariam ocorrendo a transmissão da doença. A ilha era o último local considerado pela entidade como potencial transmissor do vírus. A OMS, porém, alerta que surto poderia voltar a ocorrer a qualquer momento se os países não tomarem medidas necessárias para monitorar e isolar casos suspeitos. "O mundo não está livre da Sars", afirmou o comunicado da agência de saúde da ONU. "Não estamos anunciando o fim da Sars. O que estamos dizendo é que o surto foi contido", afirmou Gro Harlem Brundtland, diretora da OMS. Em todo o mundo, cerca de 200 pessoas ainda estão internadas por causa da doença. No caso de Taiwan, o fim da transmissão ficou claro depois que a ilha não registrou sequer um novo caso de Sars nos últimos 20dias. Regiões como Hong, Kong, Toronto e Pequim também chegaram a fazer parte da lista negra e, por algumas semanas, a OMS aconselhou turistas a evitarem essas cidades. Doença surgiu na China A doença, que até agora não conseguiu ser completamente decifrada, teria surgido na provincial chinesa de Guangdong. De lá, viajou para pelo menos 30países, entre eles o Brasil, em pouca mais de quatro meses. Somente na China, o total de mortos chegou a 348. O primeiro caso de transmissão oficialmente registrado ocorreu no dia 21 de fevereiro, quando um médico infectado pelo vírus se hospedou no hotel Metropole, de Hong Kong. Pelo menos outros 14 hóspedes que estavam em quartos no mesmo andar foram contaminados, levando o vírus para Toronto, Hong Kong, Vietnã e Cingapura. O resultado dessa transmissão foi devastador. As economias de algumas regiões, como Hong Kong, chegarama sofrer uma queda de crescimento por causa da doença. Na China, a falta de transparência sobre as informações de pessoas contaminadas levou à queda de ministros da Saúde e prefeitos de cidades contaminadas pelo vírus. Ficou também claro que o sistema de saúde chinês não estava preparado para lidar com o surto de uma doença. Incertezas Apesar do controle da doença, muitas questões sobre a Sars estão sem uma resposta. Ninguém sabe dizer se o surto irá reaparecer no próximo inverno do hemisfério norte. Além disso, a OMS não descarta que a doença esteja alojada momentaneamente em um animal e que possa ser retransmitida para os seres humanos quando as condições climáticas favorecerem. Brundtland ainda aponta que a Sars continua sendo uma ameaça para o sistema público de saúde e que esse surto deve ser considerado como um alerta. Para a diretora, por pouco as proteções existentes na rede pública de saúde não conseguiram dar conta da doença misteriosa. "Na próxima vez em que o surto reaparacer, poderemos não ter tanta sorte", completou a diretora.

Agencia Estado,

05 Julho 2003 | 12h29

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