OMS: controle de gripe suína em país pobre é difícil

A maioria dos países em desenvolvimento não tem boas condições para monitorar a gripe sazonal. A deficiência mostra os riscos potenciais e a dificuldade de se controlar uma possível pandemia - epidemia generalizada - de influenza A (H1N1), a gripe suína, pelo mundo, apontou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS). "Obviamente o que nos preocupa é que a maioria desses países em desenvolvimento não tem sistemas em funcionamento que nos dirão se a influenza H1N1 está lá", disse Ties Boerma, diretor de estatísticas de saúde da OMS.

AE, Agencia Estado

21 de maio de 2009 | 12h09

"Na maioria dos países não há um bom sistema para informar sobre as causas de mortes, então não recebemos qualquer dado sobre qualquer morte", alertou. "Portanto, há ainda uma grande lacuna em informação que nós e nossos parceiros estamos tentando suprir, mas é uma grande tarefa." Um relatório anual da OMS divulgado hoje lista o vírus H5N1, da gripe aviária, entre 18 doenças infecciosas mencionadas. Porém o texto aponta que a gripe aviária, bem como a malária e a encefalite japonesa, é difícil de se identificar sem testes de laboratório, muitas vezes indisponíveis nessas nações em desenvolvimento.

O México dependeu de testes canadenses para detectar o vírus da influenza A (H1N1). Mesmo em países não tão pobres, a doença é muitas vezes diagnosticada como pneumonia. "Em muitos países é muito difícil. Por exemplo, nós observamos estatísticas do México sobre gripe, mas na verdade a maioria dos casos de influenza são enterrados com o diagnóstico de pneumonia", notou Boerma. Desde o aparecimento da doença, então chamada de gripe suína, até ser rebatizada pela OMS, as autoridades do setor de saúde demonstram temor de que o vírus se espalhe no hemisfério sul, especialmente em países pobres.

A maioria dos casos de gripe é mais letal para os que já estão enfraquecidos por outras moléstias. Os países em desenvolvimento sofrem mais, com sua população empobrecida e o sistema de saúde pública ruim. A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse hoje que não hesitaria em elevar o nível de alerta para pandemia para a influenza A (H1N1), no momento em 5, em uma escala de 1 a 6. Porém deu algumas razões para esse alerta não ter sido elevado, entre eles o fato de a doença não estar se espalhando rapidamente pelo hemisfério sul.

O hemisfério sul está prestes a entrar em sua temporada de gripes sazonais. Especialistas temem que o vírus A (H1N1) possa sofrer mutações em contato com outros vírus, o que teria o potencial para gerar variedades mais perigosas da doença. Margaret também lembrou que o vírus até agora se mostrou relativamente brando. As informações são da Dow Jones.

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