OMS cria iniciativa de incentivo a pesquisa de droga pediátrica

Crianças estão morrendo em consequênciada falta de remédios pensados para elas, afirmou a OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS), que lançou uma campanha global naquinta-feira para promover pesquisas na medicina infantil. Mais de metade das drogas atualmente usadas para tratarcrianças no mundo industrializado não foram testadasespecificamente nelas, apesar do fato de crianças metabolizaremremédios de modo diferente que os adultos. Por isso, os médicos não contam com diretrizes claras sobrequal é a droga mais indicada, e muitas vezes têm de adivinhar adose correta. O problema é ainda mais grave nos países emdesenvolvimento, onde o preço dos remédios é um grandeempecilho, e 6 milhões de crianças morrem todo ano de doençastratáveis. No caso do HIV, vírus que provoca a Aids, as poucasterapias pediátricas que existem custam o triplo das adultas. Para tentar sanar o problema, a OMS criou a primeira Listade Medicamentos Essenciais para Crianças, com 206 produtosconsiderados seguros. "Mas ainda há muito a fazer. Existem medicamentosprioritários que não foram adaptados para o uso em crianças eque não estão disponíveis quando necessários", disse HansHogerzeil, diretor do setor da agência da ONU que trata depolítica de remédios. Entre os remédios que precisam ser adaptados estão muitosantibióticos, além de drogas para asma e para a dor. A OMStambém quer que haja mais pesquisas sobre coquetéis para oHIV/Aids, para a tuberculose e a malária. A agência está criando um portal na Internet indicando osensaios clínicos com crianças, e vai lançar uma página comessas informações no começo do ano que vem. Os testes dos remédios em crianças sempre foramcontroversos, já que a ética exige autorizações informadas daspessoas que participam dos ensaios -- algo difícil de obter emse tratando de crianças. Por isso, os laboratórios têm medo dedesenvolver remédios pediátricos, e os fabricantes de genéricosdemoram a produzi-los a custos menores. Para tentar resolver o problema, tanto a Europa como osEstados Unidos têm hoje regras oferecendo patentes maisduradouras para drogas que tenham sido testadas em crianças. Asmedidas parecem estar produzindo algum efeito. Entre 1990 e1997, apenas 11 produtos foram estudados em crianças nos EUA,mas nos últimos dez anos o total pulou para 125. Na Europa aspesquisas também estão aumentando. A GlaxoSmithKline Plc disse na quinta-feira que obteveaprovação para uma nova formulação da droga Combivir, contra aAids, para uso pediátrico.

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