OMS faz alerta contra cigarro eletrônico

A Organização Mundial da Saúde (OMS)fez na sexta-feira um alerta contra o uso de cigarroseletrônicos, afirmando que não há provas de que ele sejasegurou ou ajude os fumantes a abandonarem o vício. Produzido inicialmente na China e difundido pela Internetpara países como Brasil, Grã-Bretanha, Canadá e Israel, essescigarros ganharam popularidade apesar da falta de aprovação dasautoridades, segundo a OMS. Um cigarro eletrônico típico consiste de um tubo metálicocom uma câmara que contém nicotina líquida, vendida emcartuchos recarregáveis. O usuário traga sem acender, o quesupostamente permitiria o uso em locais onde há restrição aofumo, segundo a OMS. Mas, em vez de fumaça, o usuário inala uma tênue névoa denicotina, "junto com potencialmente muitos outros compostostóxicos sobre os quais não temos certeza", segundo DouglasBettcher, diretor-interino da Iniciativa Contra o Tabaco daOMS. Em entrevista coletiva, ele disse desconhecer"absolutamente qualquer evidência científica que confirmasseque o cigarro eletrônico é um dispositivo seguro e eficaz paraque se deixe de fumar". "Testes toxicológicos e clínicos ainda não foram realizadosnesse produto", acrescentou. Segundo ele, não há comparação com outros métodos que podemajudar fumantes a parar, como emplastos e gomas de nicotina."Se os produtores e comerciantes do cigarro eletrônicoquisessem ajudar os fumantes a parar, deveriam operar dentrodos marcos regulatórios adequados", disse Bettcher. Sem citar nomes, ele recriminou fabricantes que estariamusando o nome e logotipo da OMS em embalagens e sites,sugerindo uma aprovação da entidade. A agência disse estar em contato com seus 193 paísesintegrantes para alertar sobre "essas alegações falsas enão-testadas". A Turquia, disse ele, já proibiu as vendas. Ele disse que o produto apareceu de repente no mercado,surpreendendo a OMS, que só neste ano soube da sua existência. Em 2003, a OMS adotou um novo tratado com regras contra apropaganda de cigarros, já ratificado por 160 países. O tabagismo é a principal causa evitável de mortes nomundo. Doenças pulmonares, cardíacas e circulatórias que sãoprovocadas pelo cigarro, entre outras, causam 5,4 milhões demortes por ano, segundo a OMS.

STE, REUTERS

19 de setembro de 2008 | 16h22

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