07 de outubro de 2013 | 13h04

CAIRO - Três ataques separados voltaram a expor ontem a instabilidade política no Egito, um dia depois de choques entre a Irmandade Muçulmana e forças de segurança deixarem 53 mortos. Militantes fizeram duas emboscadas na região do Sinai e dispararam uma granada propelida por foguete na periferia do Cairo, em um bairro que abriga embaixadas.

Em Ismalia, cidade no Canal de Suez, atiradores não identificados mataram pelo menos seis militares, incluindo um tenente. Pouco depois, um carro-bomba destruiu parcialmente uma base policial em El-Tor, no sul do Sinai, deixando 3 soldados mortos e mais de 50 feridos, segundo fontes locais. Ninguém havia assumido autoria dos ataques até ontem à noite, mas, desde a queda da ditadura de Hosni Mubarak, grupos ultrarradicais islâmicos ampliaram suas atividades na península egípcia em meio à ausência de autoridade.

O ataque com granada no Cairo aparentemente foi dirigido contra uma instalação da TV estatal egípcia e, de acordo com informações iniciais, não deixou feridos. No entanto, foi a primeira vez desde o fim do regime Mubarak que um armamento com esse grau de sofisticação foi usado pelos militantes. O local do ataque também chamou atenção: Maadi, um bairro da alta sociedade considerado "seguro", à beira de um afluente do Nilo, por onde circulam autoridades egípcias e internacionais.

A onda de ataques amplia a pressão sobre o governo interino formado às pressas pelos militares após a destituição do presidente Mohamed Morsi, da Irmandade Muçulmana, no início de julho. Os novos ocupantes do poder lançaram uma campanha contra facções islâmicas ainda mais violenta do que as que marcaram o período Mubarak.

Em meados de agosto, mais de mil partidários de Morsi foram assassinados quando as forças de segurança decidiram esvaziar as ocupações de rua no Cairo em favor do presidente deposto. A Irmandade foi formalmente banida pela Justiça e, ontem, um novo confronto marcou as celebrações dos 40 anos da guerra de 1973 contra Israel. Além dos mais de 50 mortos, 271 ficaram feridos. / REUTERS e AP

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