Onda de ataques mata 95 em Bagdá

Governo iraquiano culpa Al-Qaeda e reconhece dificuldade em manter a segurança sem apoio dos americanos

AP, NYT E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

20 de agosto de 2009 | 00h00

No dia mais sangrento do ano no Iraque, pelo menos 95 pessoas morreram e mais de 560 ficaram feridas ontem após uma série atentados em Bagdá. Após semanas de escalada de violência, seis explosões coordenadas varreram a capital e atingiram até mesmo prédios na Zona Verde, uma área fortificada no centro da cidade que abriga instalações do governo e embaixadas. Veja galeria com imagens dos atentados em BagdáNo ataque mais letal, um caminhão-bomba foi detonado ao lado do prédio do Ministério das Relações Exteriores, abrindo uma cratera de 3 metros de profundidade. A explosão carbonizou carros e destruiu as janelas do prédio e do Parlamento, na Zona Verde, provocando uma chuva de vidro que matou dezenas de pessoas. Os ataques trazem à tona as dificuldades que forças iraquianas enfrentam sem a ajuda das tropas dos EUA, que deixaram os centros urbanos há quase dois meses. "Vamos encarar os fatos. Reconhecemos nossos erros, do mesmo modo que celebramos nossa vitória", disse Mohammed al-Askari, porta-voz do Ministério da Defesa, citando negligências como permitir que caminhões circulem no centro de Bagdá.O premiê Nuri al-Maliki, que é xiita, culpou o grupo terrorista Al-Qaeda da Mesopotâmia e aliados sunitas do ex-presidente Saddam Hussein. Segundo ele, a onda de ataques tinha como objetivo "levantar questões sobre as forças iraquianas, que já provaram ser totalmente capazes de enfrentar os terroristas", mas pediu uma revisão no plano de segurança. "As ações de hoje nos obrigam a reavaliar nossas estratégias."Segundo Maliki, os atentados foram uma tentativa de minar os plano do governo de retirar, daqui a 10 dias, mais de 40 barreiras antiataques de Bagdá. Após a saída parcial dos EUA, o governo ganhou apoio popular e estava tão confiante na retração da violência que decidiu tomar medidas como essa. No entanto, a carnificina de ontem deve minar o otimismo sobre a estabilidade do país. "As forças de segurança não garantem nenhuma segurança", disse o sobrevivente Haythem Adil. SUSPEITOSUm segundo caminhão-bomba foi detonado próximo do Ministério das Finanças, matando 28 pessoas e destruindo um viaduto. Pelo menos um disparo de morteiro atingiu a sede das Nações Unidas na Zona Verde, no momento em que os funcionários lembravam o sexto aniversário do ataque à sede anterior da ONU na cidade, que matou o brasileiro Sergio Vieira da Melo, chefe das ações da organização no país .Apesar de nenhum grupo ter assumido a responsabilidade pelos atentados, o governo informou ter detido dois membros do grupo Al-Qaeda da Mesopotâmia que estavam prestes e detonar outro carro-bomba. Também foi interceptado um terceiro caminhão com explosivos.

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