Onda de ataques palestinos deixa 20 israelenses mortos

Um franco-atirador palestino disparouneste domingo contra soldados e veículos civis israelensesem um posto de controle perto da colônia judaica de Ofra, nasproximidades da cidade cisjordaniana de Ramallah, matando dezpessoas - entre elas sete soldados -, no pior dos quatro ataquespalestinos que deixaram 21 mortos em dois dias de violência. Israel respondeu com uma série de intensos ataques contrainstalações de segurança palestinas na Cisjordânia e na Faixa deGaza, os quais deixaram pelo menos quatro policiais palestinosmortos, enquanto o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, eseu gabinete estudavam ações militares adicionais. Aviões F-16,helicópteros e barcos artilhados da Marinha israelense foramusados nos ataques de represália. O Exército israelense regressou hoje à noite à cidadepalestina de Jenin, 24 horas depois de ter-se retirado de umcampo de refugiados. Seis tanques penetraram cerca de 200 metrosna cidade autônoma e responderam com tiros de obuses aosdisparos palestinos. A mais recente onda de violência, que suscitou em Israelvários pedidos para derrubar o líder palestino Yasser Arafat,ocorreu apenas 12 horas depois de um suicida palestino de 20anos detonar no sábado uma carga de explosivos em um movimentadobairro de Jerusalém habitado majoritariamente por judeusultra-ortodoxos, matando nove israelenses, entre eles dois bebês- de sete e 18 meses - e três crianças. A brigada de mártires Al-Aqsa, uma milícia ligada ao movimentoFatah, de Arafat, assumiu a responsabilidade por três dos quatroataques cometidos entre sábado e hoje pela manhã, incluindo otiroteio no posto de controle e um ataque com granada que matouum israelense na Faixa de Gaza. Os militantes, que juraram vingar os ataques israelensescontra os campos de refugiados de Balata e Jenin, na Cisjordânia, divulgaram um comunicado destacando que o tiroteio de hoje foiem resposta à atuação do Exército de Israel contra osacampamentos, que deixou entre quinta-feira e sábado 23palestinos mortos. Na Faixa de Gaza, atiradores palestinos abriram fogo hoje pelamanhã contra um grupo de soldados em uma estrada. Um soldadomorreu e quatro ficaram feridos, informou o Exército. Uma facçãomilitar do grupo radical Jihad Islâmica assumiu a autoria doataque em um telefonema à Associated Press. Após a série de atentados, os ministros mais à direita dentrodo gabinete de Sharon exigiram o fim da Autoridade Palestina,presidida por Arafat. "Creio que a melhor maneira de garantir a segurança doscidadãos israelenses é acabar com a Autoridade Palestina,liderada por Arafat", disse Dan Naveh, ministro sem pasta dogoverno Sharon. Os palestinos, por sua vez, também disseram que aintensificação da violência está fora de controle, mas colocarama culpa em Israel. "A liderança palestina adverte sobre operigo da ocupação israelense e a intensificação dos ataques",indicou um comunicado divulgado pela agência oficial de notíciasWafa. A Autoridade Palestina condenou os atentados e pediu aretomada das conversações de paz, contudo, nos campos derefugiados de Deheishe, de onde era o homem-bomba, e em Ramallah centenas de palestinos manifestaram sua alegria pelos atos devingança contra Israel. No Vaticano, o papa João Paulo II pediu hoje um cessar-fogo noOriente Médio "em respeito à lei internacional". Segundo opontífice, "a violência, a morte e as represálias não farãonada além de empurrar cada vez mais as populações civis,israelenses e palestinas, ao desespero e ao ódio". Desde o início do levante palestino, há 17 meses, 310israelenses e 1.070 palestinos morreram.

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