Onda de atentados deixa 64 mortos em 13 cidades iraquianas

Ações coordenadas ocorrem 6 dias antes do fim do prazo para retirada dastropas de combate dos EUA

EfE, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2010 | 00h00

BAGDÁ

A seis dias de os EUA concluírem a retirada de suas tropas de combate do Iraque, uma onda de atentados deixou pelo menos 64 mortos e 219 feridos em 13 cidades do país. As ações - dirigidas em sua maioria contra serviços de segurança iraquianos - foram atribuídas à rede terrorista Al-Qaeda e ao Partido Baath, do líder deposto Saddam Hussein.

O pior atentado foi registrado em Al-Kut, capital da Província de Wasit, 180 quilômetros ao sul de Bagdá, onde pelo menos 23 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas depois que um terrorista suicida lançou um carro-bomba contra a delegacia central da cidade.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, não esperou as investigações para apontar os culpados: "A Al-Qaeda e seus aliados do ex-partido governante Baath voltaram a cometer crimes brutais com o objetivo de abalar a segurança e a estabilidade", disse Maliki.

O primeiro-ministro destacou que os atentados também pretendem minar "a confiança da população nas forças de segurança que se preparam para assumir a responsabilidade depois que se complete o acordo de retirada das tropas americanas de combate no final do mês".

Al-Maliki assegurou que "ataques como os de hoje (ontem) não atrapalharão os planos do povo iraquiano de "recuperar a soberania total da nação".

"A mensagem que os terroristas querem entregar à população e aos políticos iraquianos é de que eles (terroristas) existem e podem escolher onde e quando atacar", disse o juiz iraquiano Wael Abdel-Latif ao jornal The New York Times. "Se eles estão realizando ataques assim enquanto os americanos ainda estão aqui, imagine do que serão capazes quando os EUA saírem."

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou os ataques e realçou a necessidade de um "governo estável" para melhorar a situação no Iraque. "A União Europeia (UE) condena os ataques. A maioria das vítimas se dedicava a trabalhar pela segurança do Iraque", disse Ashton.

Redução das tropas. No dia 31 de agosto, os Estados Unidos encerrarão oficialmente suas operações de combate no Iraque, depois de sete anos, embora tenham anunciado ontem que o número de soldados já havia sido reduzido para menos de 50 mil.

O último batalhão de combate americano no Iraque abandonou o país no dia 19 e os militares que ficaram cuidarão apenas do ensino e da formação dos agentes iraquianos. /

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