Onda de atentados mata mais 60 no Iraque

Após dia mais sangrento em 1 ano, explosões arrasam santuário xiita

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

Pelo menos 60 peregrinos xiitas morreram ontem depois que dois homens-bomba detonaram seus explosivos em um santuário de Bagdá. Outros 125 ficaram feridos, entre eles 25 fiéis iranianos. Pressionado, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, anunciou que abrirá uma investigação para apurar como os militantes conseguiram contornar o forte esquema de segurança.Na quinta-feira, o Iraque viveu seu dia mais sangrento em um ano, com dois ataques a xiitas que deixaram um saldo de 88 mortos e centenas de feridos. Os índices de violência no país encontram-se no patamar mais baixo desde o início da invasão liderada pelos EUA, em 2003. Contudo, uma onda de ataques nas últimas semanas voltou a levantar dúvidas sobre a capacidade do governo de Maliki de manter a ordem sem o auxílio dos EUA. Washington planeja retirar todas as suas tropas até 2011.Testemunhas disseram que, nos ataques de ontem, os militantes detonaram os cinturões de explosivos com poucos minutos de diferença. As explosões ocorreram diante dos portões do santuário do imã Mousa al-Kazim, local sagrado para os xiitas. Kazim, que viveu no século 8, é um dos 12 santos dos xiitas. Anualmente, milhares de peregrinos caminham até o seu mausoléu, de cúpula dourada, em memória ao seu martírio.Segundo Laith Ali, proprietário de um comércio vizinho ao santuário, a segurança na hora do ataque era alta. "Nos sentimos seguros porque havia revistas e detectores nos portões do templo", disse. As explosões espalharam pedaços humanos pela entrada do templo e, horas depois, uma grande poça de sangue ainda se esparramava ao longo das escadarias.Revoltado com a morte de iranianos no ataque, Teerã afirmou que os responsáveis pelas explosões buscam prejudicar os crescentes laços entre o regime dos aiatolás e o governo xiita de Maliki. Os xiitas, maioria no Iraque, foram duramente oprimidos durante o regime de Saddam Hussein, mas dominam a política no país após desde a deposição do ditador, em 2003. Desde então, os sunitas suspeitam das relações entre o governo iraquiano e o Irã.Em janeiro, um homem-bomba havia atacado o templo de Kazim, matando 30 pessoas. O principal centro de peregrinação xiita, a mesquita de Hassan al-Askari, em Samara, já sofreu dois grandes ataques, em 2006 e 2007. O governo do Iraque ordenou ontem uma ampla investigação sobre os ataques de ontem e de quinta-feira. No entanto, as evidências já apontam para a participação de insurgentes sunitas - possivelmente ligados à Al-Qaeda - em ambos os ataques.

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