Jennifer Gauthier/REUTERS
Jennifer Gauthier/REUTERS

Em meio a onda de calor, Canadá registra 134 mortes e bate recorde de 49,5 graus

Segundo polícia, idosos são a maioria das vítimas; partes do noroeste dos EUA também foram atingidas

Michel Comte/AFP, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 13h00
Atualizado 29 de junho de 2021 | 23h39

Ao menos 134 pessoas morreram desde a última sexta-feira na cidade canadense de Vancouver, em meio a uma onda de calor sem precedentes no oeste do Canadá e partes do noroeste dos EUA, informaram autoridades nesta terça-feira, 29. “Ainda estamos investigando, mas acreditamos que o calor é um fator que contribuiu para a maioria das mortes”, disse Michael Kalanj, da Real Polícia Montada do Canadá, acrescentando que a maioria das vítimas era de idosos. Nesta terça-feira, o Canadá registrou 49,5 graus, a maior temperatura de sua história.

Escolas e clínicas de imunização fecharam e uma competição pré-olímpica foi adiada em razão das temperaturas recordes na segunda-feira. Em Portland, no Estado do Oregon, e em Seattle, no Estado de Washington, conhecidas pelo clima temperado e úmido, a temperatura atingiu o nível mais alto desde que os dados passaram a ser registrados, em 1940. O verão no Hemisfério Norte começou no domingo e a onda de calor deve continuar por mais alguns dias.

A temperatura atingiu 46,1 graus Celsius no aeroporto de Portland, ao meio-dia de segunda-feira, após bater o recorde de 44,4 graus no domingo, chegou a 41,6 graus em Seattle, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS, na sigla em inglês).

No entanto, a situação é bem mais dramática no oeste do Canadá. A cidade de Lytton, na Província de Colúmbia Britânica, quebrou o recorde histórico do país com uma temperatura de 47,9 graus Celsius na segunda-feira.

Na região, ventiladores e aparelhos de ar-condicionado estão esgotados e as cidades montaram “centros de refrigeração”. Várias clínicas de vacinação contra a covid-19 foram fechadas e as escolas anunciaram a suspensão das atividades em razão do calor extremo. A BC Hydro, principal empresa de energia elétrica da Colúmbia Britânica, alertou que a demanda por eletricidade também vem batendo recordes.

No centro metropolitano de Vancouver, parques, praias e piscinas foram inundados por residentes ansiosos para se refrescar quando a temperatura atingiu 32 graus no aeroporto, no domingo – um recorde em uma cidade costeira que geralmente tem clima ameno. Autoridades canadenses pediram uma maior atenção a crianças, mulheres grávidas, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Alerta máximo

“Uma prolongada, perigosa e histórica onda de calor persistirá durante esta semana”, advertiu o Environment Canada, agência ligada ao Ministério do Meio Ambiente, emitindo alertas para Colúmbia Britânica, Alberta e partes de Saskatchewan, Manitoba, Yukon e os Territórios do Noroeste. “É um calor do deserto, muito seco e quente”, disse David Phillips, climatologista da agência. 

“Somos o segundo país mais frio do mundo e o que tem mais neve”, disse Phillips. “Muitas vezes, presenciamos ondas de frio e nevascas, mas raramente falamos sobre um tempo tão quente como este. Dubai deve ser mais fresca do que isso que estamos vendo agora.”

Os recordes anteriores de temperatura no Canadá, ambos de 45 graus, haviam sido estabelecidos em Yellow Grass e Midale, em Saskatchewan, em 5 de julho de 1937. Nos EUA, os americanos também estão experimentando temperaturas sufocantes. “Este nível de calor é extremamente perigoso”, advertiu a NWS, na segunda-feira. 

O Mercado de Agricultores de Ballard, em Seattle, teve de fechar mais cedo “em razão do calor”, segundo seu gerente, Doug Farr. “A maior parte das vezes é por causa da neve.” 

Na segunda-feira, a Amazon anunciou que abriria ao público parte da sua sede em Seattle como um “ponto de refrigeração” para mil pessoas. Muitas casas na cidade, uma das maiores dos EUA, não têm ar-condicionado. A temperatura média em Seattle para o mês de junho é de 19 graus Celsius. 

Em Portland, muitos moradores também foram obrigados a se abrigarem com colchões e cadeiras dobráveis em locais com aparelhos de ar-condicionado improvisados pelas autoridades locais. Ao sul, na cidade de Eugene, a última das provas de atletismo que definirão as equipas olímpicas dos EUA teve de ser adiada por causa das temperaturas elevadas. 

O calor extremo, combinado com uma seca intensa no oeste americano, favoreceu o surgimento de vários incêndios durante o fim de semana. Um deles, na fronteira entre Oregon e Califórnia, queimou cerca de 600 hectares na manhã de segunda-feira, obrigando as autoridades a retirar alguns moradores e a fechar uma estrada estadual.

Fenômeno

A onda de calor foi provocada por um fenômeno conhecido como “cúpula de calor”: a alta pressão prende o ar quente na região. “A ocorrência de uma cúpula térmica é tão rara estatisticamente que só poderia ser esperada uma vez a cada vários milhares de anos, em média”, escreveram os peritos meteorológicos do Washington Post. “Mas as alterações climáticas induzidas pelo homem tornaram esses acontecimentos excepcionais mais prováveis.” 

Segundo Nick Bond, cientista climático da Universidade de Washington, as alterações climáticas são um fator “secundário”. “O elemento principal é este padrão meteorológico muito incomum” da cúpula de calor, afirmou. “As alterações climáticas são reais, as nossas temperaturas subiram, o que tornou este evento de calor ainda mais severo.” / AFP e WP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.