Onda de protestos contra a guerra chega à China

Ondas de protestos de rua contra obombardeio e invasão do Iraque por forças anglo-americanas voltaram a agitar hoje grandes cidades do mundo e chegaram pela primeira vez desde o início da guerra há 11 dias, à capital chinesa. O governo chinês autorizou hoje pequenas concentrações em Pequim - uma decisão que causou surpresa porque as autoridades comunistas consideram as manifestações públicas um perigo para a estabilidade do país. Participaram dos protestos estrangeiros e estudantes.Cerca de 200 estrangeiros que vivem na capital chinesa, entre os quais franceses, britânicos e norte-americanos, marcharam até as sedes das embaixadas da Grã-Bretanha e Estados Unidos,agitando cartazes com dizeres como "Não à guerra do petróleo" e gritando "parem a guerra".Os estrangeiros foram seguidos de perto por dezenas de policiais. "Representamos apenas uma pequena parcela da comunidade internacional que vive na China e condena com veemência esse ato de vingança cega e loucura assassina", disseum dos organizadores da marcha.Já os estudantes chineses, cerca de 150, fizeram seu protesto no campus da Universidade de Pequim. O governo havia autorizado uma concentração num parque, mas decidiu cancelar a reunião noúltimo momento por achar que o total de pessoas superava os limites de segurança.Os protestos de hoje não ficaram limitados à China. No Marrocos, mais de 300 mil pessoas tomaram as ruas de Rabat, a capital do país, para expressar sua oposição ao conflito noGolfo Pérsico. Carregavam grandes fotos do presidente iraquiano, Saddam Hussein, e queimaram duas bandeiras dos Estados Unidos.Na Indonésia, vigiados por centenas de agentes de segurança, mais de 100 mil indonésios postaram-se diante das sedes das embaixadas dos EUA e da Grã-Bretanha em Jacarta. Queimaram vários bonecos representando o presidente norte-americano,George W. Bush. E pediram em coro que ele e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sejam processados por crimes de guerra.Na Coréia do Sul, cerca de 10 mil trabalhadores atenderam a uma convocação das centrais sindicais sul-coreanas para uma passeata contra a guerra no centro de Seul. Eles criticaram ogoverno local por sua decisão de enviar ao Iraque engenheiros do setor de construção civil, médicos e sanitaristas para ajudar as forças anglo-americanas.Na Índia, acadêmicos, professores, empresários e até bombeiros uniformizados somaram-se às mais de 150 mil pessoas que percorreram hoje as principais ruas de Calcutá para exigir o fimdo conflito. Queimaram diversas bandeiras norte-americanas e bonecos representando Bush. "Quantos mortos por galão (de petróleo)","América, o maior terrorista do mundo", "Parem a guerra, parem o banho de sangue, deixem a paz prevalecer", "LancemBush, não bombas", diziam alguns cartazes carregados por ativista.No Paquistão, uma concentração na cidade de Peshawar reuniu hoje pelo menos 200 mil pessoas - a grande maioria muçulmanos. Como nos demais protestos, seus alvos eram o Bush e Blair.Na Espanha, mais de 30 mil espanhóis retornaram neste domingo às ruas de várias cidades. Desse total, 20 mil se postaramdiante da base aeronaval de Rota, em Cádiz, usada conjuntamentepor forças espanholas e americanas. Houve concentrações tambémnas proximidades das bases militares de Torrejón e Ardoz, emMadri, e das bases de Zaragoza, Albacete, Valência e Múrcia. EmBarcelona, ativistas explodiram 50 mil balões pretos, simulandoos bombardeios anglo-americanos do Iraque.Em Chipre, agitando bandeiras do Iraque, mais de 3 mil pessoasse reuniram na entrada da base militar britânica de Akrotiri.Alguns ativistas tentaram atingir o edifício, lançando ovos epedras.Na Bulgária, o centro de Sófia, a capital do país, foi tomadopor milhares de búlgaros, que expressaram sua rejeição aoconflito - apoiado pelo governo local. Eles exigiram aos gritosa demissão do primeiro-ministro búlgaro, SimeonSackskoburggotski, que se aliou ao presidente Bush. "Nossa voz é européia. Rejeitamos a guerra sem o respaldo daONU e a participação da Bulgária nela", disse o líder daoposição socialista Sergej Stanicev, discursando para amultidão.No Líbano, pelo menos 50 mil libaneses manifestaram suaoposição à guerra em Beirute e outras grandes cidades do país,queimando bandeiras norte-americanas e britânicas. Veja o especial :

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